terça-feira, 19 de julho de 2011

O semestre

Se tivesse uma só palavra para descrever esse semestre, seria: tenso. Desde situações frívolas como retirar a carteira de motorista até problemas de saúde na família, incluindo um semestre acadêmico decisivo e extenuante (nem mesmo durante a lua de mel os deuses pareciam estar do meu lado mas deixo isso para o próximo post) encerro a metade do ano com o alívio de perceber que algumas coisas foram superadas. Em relação ao meu doutorado, em particular, processos importantes estão em andamento e em breve, espero ter ótimas notícias para anunciar por aqui. Por enquanto posso dizer que finalmente estou livre de disciplinas e provas forEVER. Aulas agora, só quando eu virar professor, espero, rs.

TENSO

Aliás, o nível de tensão desses 6 meses foi o principal culpado pela baixa frequência com que tenho escrito por aqui. Anyway, segue uma breve descrição dos ocorridos.

:: Natal e Reveillon

Eu e Cê passamos o natal no interior da Bahia, com a família dos meus pais. Teve o tradicionalíssimo amigo secreto (cheio de marmeladas, há quem diga) e muitos reencontros de primos e tios. O reveillon passamos em Maceió com os pais e a irmã de Cê. Fomos à praia ver os fotos de artifício e, durante o tempo que passamos lá, aproveitamos para visitar amigos e matar as saudades. :-)

Presentes do amigo secreto

Eu e Cê (com minha "barba experience face")

:: Janeiro

Ainda em janeiro, após o reveillon, eu e Cê aproveitamos para resolver outra pendência casamentística: ensaio fotográfico. Fazia parte do pacote que fechamos com o fotógrafo Antônio Fon (que mais uma vez recomendo a todos). Ele nos levou até Marechal Deodoro, uma cidade pitoresca que fica a 30km de Maceió, perto da praia do Francês. Tiramos váaaarias fotos por lá e ficamos bastante satisfeitos com o resultado.

(Fotógrafo: Antônio Fon)

(Fotógrafo: Antônio Fon)

:: Carnaval

Optamos por passar com minha irmã na casa de praia do namorado dela que fica na Ilha Comprida, uma estância balneária situada no litoral sul de São Paulo. Só pra ter uma idéia de como o tempo e o dinheiro aqui é curto, desde que viemos morar em São Paulo essa foi somente a segunda vez que fomos visitar alguma praia paulistana. O carnaval lá foi animado por blocos de rua com escolas de samba e pequenos carros alegóricos. Acabei entrando numa cilada lá e embarquei num desses blocos junto com a galera. Pra quem mora em Salvador e entende o significado da palavra "muquiranas" tem uma idéia do que estou falando. Foi trash mas foi divertido, rs.

Cê, Jacque e Léo

Cilada...

:: Semana Santa

Durante a semana santa, matamos a saudade com nossos respectivos parentes. Inicialmente, eu em Salvador e Cê em São Paulo estudando (tadinha). Uma semana depois, invertemos: eu em São Paulo, estudando, e ela em Maceió.

:: São João

Aproveitando a curta estadia de minha irmã em Santos, aproveitamos para visitar e conhecer melhor a cidade. Não rolou forró, mas foi bem legal. Uma noite em particular, fomos para o centro de Santos e viramos a madruga num bar ao som de uma ótima banda. Rolou até "Killing in the name of" do RATM no finalzinho.

Eu e Cê na linha do trem

:: Dia-a-dia

Quanto ao cotidiano em Sampa, foi como falei e repito: tenso. Tive uma disciplina teórica obrigatória que quase me fez virar algumas noites e me deixou frustrado durante a maior parte do tempo. Perder não era uma opção e isso me deixou bastante ansioso durante as provas (coisa rara). Mas no final, consegui superar mais essa (e me superar também). Fiz também o terceiro semestre seguido no curso de francês no CAVC Idiomas e fiquei feliz com o meu progresso. Acho que evoluí bastante. Agora tenho o tempo livre para focar no meu projeto de doutorado que andava meio pra escanteio ultimamente. Mas os dias não foram preenchidos só com estudo. Entre um domingo e outro às vezes achávamos uma brecha para um piquenique ali, um teatro aqui, um cineminha acolá, enfim, coisas vitais para manter a sanidade física e mental.

Piquenique no Ibirapuera (John Pizzarelli no palco)

Domingo de sol no Ibirapuera

Dia dos namorados: fondue! :-)

No próximo post (ou próximos porque a parada vai ser longa, rs) vou fazer um relato de nossa viagem de lua-de-mel. Foi inesquecível, em todos os sentidos. Té +!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Transferência de CNH sem despachante. Ou, como exercitar a sua paciência

Bom pessoal, ai vai um relato de como foi minha odisséia no Detran aqui de São Paulo. O procedimento não aparentava ser muito simples e já deixava ressabiado todos aqueles acostumados com a eficiência dos nossos serviços públicos: transferência e renovação de CNH. Ou seria renovação e transferência? O site do Detran não ajuda muito para esclarecer qual deles eu precisava fazer primeiro. Ou se os dois seriam feitos simultaneamente. Não dirijo em São Paulo. As distâncias que preciso percorrer rotineiramente são facilmente vencidas com ônibus e metrô. Além disso, carro é caro, polui e dá trabalho para estacionar. Porém, não é por isso que vou abdicar da minha habilitação. Vez ou outra preciso pegar num volante, seja para viagens ou quando estou de férias em Salvador.

Pois bem. Como o site não ajudava muito, entrei em contato por e-mail para tirar minhas dúvidas. Disseram-me que eu teria que solicitar primeiro a transferência e depois fazer a renovação. Voltando ao site li todas as instruções para a transferência. Cópia de RG, CPF, comprovante de residência, pagamento de taxa em um banco credenciado e comprovante de exame médico a ser realizado em clínica credenciada. Tudo isso precisava ser levado pessoalmente à sede do Detran aqui em São Paulo. Fiquei sem entender porque não poderia fazer isso num Poupatempo qualquer (aka SAC para residentes de Salvador). A boa notícia é que o Detran fica pertinho da estação Armênia do metrô. A má notícia é que mesmo assim eu precisava pegar um ônibus e duas linhas de metrô para chegar lá. Uma hora de viagem. Mal sabia eu que seria necessário fazer esse percurso 8 vezes. Se soubesse disso, tinha deixado para tirar em Salvador, durante minhas férias. Com certeza, seria muito mais rápido fazer isso num SAC da vida.

Fui logo no banco pagar a tal taxa. Falei que precisava pagar a taxa para transferência de CNH. O caixa ficou me olhando com cara de paisagem, sem entender lhufas do que eu estava falando. Chamou o gerente de caixa. Esse entendeu meu pedido, mas foi além: disse que ele tinha feito a renovação da carteira dele há pouco tempo e que foi tudo muito rápido. Me recomendou ir no Poupatempo mais próximo que lá eles resolveriam tudo simples e rapidamente. O pagamento também podia ser feito lá. E foi assim que, contrariando o que já tinha lido no site do Detran, peguei o metrô e me encaminhei para o Poupatempo da Praça da Sé. Chegando lá, aprendi uma lição: nunca confie no gerente de caixa. Segundo o atendente, não tem choro nem vela: transferência de CNH é na sede do Detran.

Cansado de pegar informação errada, decidi ir no Detran para pegar informações inloco. Já estava no meio do caminho mesmo, então voltei para o metrô prossegui até a estação Armênia. Uma dica para os iniciantes: existem dois prédios do Detran. Um do lado esquerdo e outro do lado direito do rio. Um é gigante e tem escrito DETRAN bem grande na frente. O outro é bem menor e o letreiro não é tão óbvio. Procure se informar para saber em qual ir, principalmente se estiver com pressa. :-p

Bom, chegando no prédio certo, peguei informações confiáveis e descobri que lá dentro tem um BB no qual era possível pagar a taxa de transferência. Mas já tinha passado do horário. Peguei o caminho de volta e fui direto para uma consutório médico perto de casa, afim de fazer os exames médicos. O médico já tinha saído. Era sexta-feira, então deixei agendado para a segunda pela manhã. Voltei pra casa exausto mas decidi conferir outros consultórios por perto. Descobri que tinha um na avenida Rebouças. Liguei para lá e disseram que eu podia ir na hora que eu desejasse. Fui na mesma hora, debaixo de chuva. Fiz o exame médico (um breve exame de vista), paguei e voltei pra casa com o comprovante.

Na segunda-feira, lá fui eu de novo com o comprovante médico. Tirei cópia do comprovante de residência, paguei a guia no banco e fui no setor de registro. De lá me mandaram ir em outro setor para agendar o teste teórico. Teste agendado, "favor voltar no dia e hora marcado".

No dia e hora marcado voltei para o Detran (terceira visita) para fazer o teste teórico. Fácil, fácil. Agora era pegar o resultado e entrar com o processo no setor de registro. Como fazemos para pegar o resultado? Site? Cartinha? E-mail? Não. O monitor nos avisa que para pegar o resultado tem que ser pessoalmente no próprio Detran. Estamos no século XXI e para saber se eu passei num exame teórico, eu tenho que ir pessoalmente na parada e ouvir uma mulher me dizer 'sim' ou 'não' para que eu possa voltar para casa sabendo que teria que voltar lá novamente em outro dia e horário para fazer outro exame. PQP! Agendei o exame biométrico e voltei pra casa proferindo impropérios aos quatro ventos.

Pois bem, em outro bat-horário e no mesmo bat-local, voltei para pegar o resultado do teste e fazer o exame biométrico. A atendente fez a consulta e nada do meu nome no sistema. Fui no setor de testes reclamar e depois de alguns minutos tensos, descobri que o Detran de Salvador não tinha feito ainda a transferência da minha CNH para o Detran daqui. Fui no setor de registro e relatei o problema. Tomei um chá de cadeira enquanto resolviam o problema. Problema resolvido, peguei o meu 'sim'. Mas o horário do meu exame biométrico já tinha passado e aí tive que agendar para outro dia e horário. Já era a quarta vez que voltava praquela joça.

O legal é que não dá para escolher dia nem hora para fazer o exame biométrico. Não pode comparecer? Então perca o exame e marque de novo. Ah! E o tempo de espera entre um exame e outro é de aproximadamente 20 dias. Por conta disso, não daria mais para pegar a carteira antes das férias de final de ano. Então eu fui para minhas férias, voltei, e fui no Detran em janeiro SOMENTE para dizer que perdi o exame e poder agendar em outro dia e horário. Cinco.

No dia e hora marcada, voltei ao Bostran para o exame biométrico. Exame feito, fui no setor de registro e, FINALMENTE(!) entrei com o pedido de renovação. Ouvi o que já esperava: 'tudo ok, retorne daqui a uma semana para pegar a sua carteira". Seis.

Uma semana depois, vulgo hoje, retornei ao Detran, cantarolando palavrões e com receio de ouvir surpresas como 'sua carteira ainda não está pronta' ou 'seu nome não consta no nosso sistema'. Foi quase isso. Minha carteira estava lá. Mas o nome da minha mãe estava escrito errado. Aliás isso é o desencadeamento final de outra novela que foi tirar a segunda via da minha carteira de identidade. Meu RG já estava com o nome correto. Mas a carteira de motorista antiga (e vencida) ainda estava com o nome errado. Adivinha qual foi o documento que eles escolheram para o CTRL+C CTRL+V? O atendente ainda tentou me persuadir a ficar com a carteira com o nome errado, mas, sinceramente, depois de tudo isso, fiz questão de pedir a carteira com todos os dados corretos. Claro que na sequência tomei "volte daqui a 5 dias úteis" na caixa dos pêtcho. Sete.

Enfim, semana que vem, 1 de março, voltarei ao Detran pela oitava vez para finalmente sair de lá com minha carteira de motorista, transferida e renovada. Será??????? Veremos... Nunca foi tão difícil ser motorista em São Paulo.

UPDATE: Fui no Detran e finalmente peguei minha CNH, desta vez, sem erros. Pronto. Agora só falta tirar a permissão internacional de habilitação. Aff...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Escuitchando III


Faz tempo desde que escrevi meu último post sobre música. Aliás, faz tempo que não escrevo nada no meu blog. O twitter tem culpa nisso, já que estimula a minha capacidade de síntese com a urgência da internet. Ou seja, estimula minha preguiça.

Sem mais delongas, segue o que andei escutando nos últimos meses e minhas humildes impressões:

:: Rock Dust light star (Jamiroquai)
Jamiroquai talvez seja uma das bandas que eu acompanho a mais tempo. Durante esse tempo pude observar a translação daquele som carregado de percussões e tecladinhos rhodes para o uso de sintetizadores e baterias eletrônicas. O legal é que o jazz e o funk sempre estiveram ali, fundidos no meio da bagaceira. Esse novo trabalho continua fazendo bastante uso de sintetizadores, mas o som voltou a ser algo mais orgânico, com a introdução de batidas mais naturalmente acústicas e riffs de guitarra. Isso é perceptível logo de cara com a faixa que abre o cd e dá nome ao disco. A segunda faixa (White Knuckle Ride) é um dance típico da banda, pra levantar o salão. Smoke and Mirrors é uma excelente surpresa: teclados vintage, sax, boa linha de baixo, enfim, tudo que tem de bom. Mas por algum motivo não empolga tanto quanto promete a introdução. All Good in The Hood por outro lado, promete e cumpre. Melhor faixa, com certeza. Bateria e linha de baixo formam uma dupla perfeita com uma levada guitarrística ao fundo. Hurtin' até aponta uma nova direção no som da banda mas revela-se pouco inspirada. Daí em diante as coisas seguem bem, na média, sem muitos altos ou baixos, com destaque para a pulsante She's A Fast Persuader. Um ótimo cd, mas não chega a ser marcante para quem já conhece a banda.

:: Muito Pouco (Paulinho Moska)
Desde que meu amigo Machado passou por essas bandas e me deixou um catatau de mp3 do Paulinho Moska, não parei mais de escutá-lo. Letras simples, mas bem boladas, melodias gostosas com arranjos que convidam o violão. É sempre assim e é sempre bom. Dessa vez, Moska arriscou um cd duplo. No Muito, as faixas são mais agitadas, acompanhadas de bateria e metais, mas não a ponto de serem dançantes. Elas terminam assim que alcançam a velocidade de cruzeiro. No Pouco, a parada é mais voz e violão, com algumas melodias quase minimalistas. Muito pouco (que já foi apresentada ao público na voz de Maria Rita e que aqui volta numa versão tango-rock), Pêndulo (sambinha delicioso com letra que faz metáforas com a geometria) e Quantas vidas você tem (batida meio jovem-guarda e letra melancólica) são as pérolas do Muito. Semicoisas (que me lembra uma canção de ninar), O tom do amor (lindíssima...), Saudade (parceria com Chico César e melhor letra do disco) e Nuvem (parceria com Pedro Aznar) dão brilho a Pouco. Engraçado que depois de escutar algumas vezes, achei que o Muito é bom mas podia ser melhor e o Pouco acaba sendo muito bom.

:: Conditions (The Temper Trap)
Talvez a melhor descoberta do ano que passou. É o primeiro trabalho dessa banda de rock australiana. O álbum é perfeito, do início ao fim. Alguns podem acusar semelhanças com o som do U2 (especialmente com o trabalho How to Dismatle an Atomic Bomb). Mas aqui a parada é mais contida, diversificada, o que deixa o álbum mais balanceado, fácil de ouvir repetidas vezes e, a cada vez, melhor. Difícil destacar uma faixa ou outra, mas Sweet Disposition é com certeza um must-listen. Os riffs de guitarra são pegajosos e com um textura espacial que faz o ouvinte viajar alguns anos-luz galáxia afora. Imersão total. Love Lost é uma excelente introdução nesse sentido: começa com um som contido, fechado, para depois explodir no refrão. Dá pra imaginar as estrelinhas saindo da guitarra. Algo parecido ocorre com Soldier On, só que o contraste é ainda maior. Down River tem a bateria como forte. Fader tem uma levada dançante com direito a um deslavado "uuuuu uh uh uh" no refrão e um som crescente de guitarras. Ressurection começa nas cinzas e desemboca em um final eletrizante, mas não sem antes passar por uma ponte de baixo e bateria que abriga o melhor riff do álbum. Science of fear mantém a empolgação até a faixa instrumental Drum Song, que encerra o trabalho. Nota 10.

:: Pilvet liikkuu, minä en (Yona)
Esse álbum foi um presente (tanto no sentido figurado como no literal) de uma amiga finlandesa. O nome do álbum quer dizer (num tradução livre) "As nuvens passam, eu não". São 11 canções belíssimas, cantadas pela voz suave de Yona e sempre acompanhada de belos arranjos de piano e violino. Não foi à toa que no mesmo dia que ganhei acabei ouvindo o cd umas 5 vezes consecutivas. As influências são diversas: jazz, reggae, folk e até um pouco de tango misturam-se num caldeirão cujo resultado é sempre algo relaxante de se ouvir. Todas as faixas são boas, mas o destaques vão para a canção que dá nome ao álbum e para a maravilhosa Uusi sävel.

:: Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (Otto)
Nunca fui muito fã de Otto. Confesso que desde o estouro da faixa Bob na MTV, não procurei ouvir nada do sujeito. No entanto fiquei sabendo do seu casamento com a Alessandra Negrini e quando soube que seu novo trabalho era motivado pela dor de cotovelo da separação, não pensei duas vezes e baixei o trabalho. Dor de cotovelo é sempre um ótimo motivo pra fazer boa música. Crua, primeira faixa do disco já escancara isso. Tem coisa mais sincera do que a dor de alguém que canta "Mas naquela noite que eu chamei você fodia, de noite e de dia"? E, ao fundo, cordas de violino e violoncelos dando ares orquestrais ao desabafo. A lamentação segue nas faixas O Leite (com participação de Céu) e no rockão 6 minutos. Essa última se destaca no álbum tanto pela letra raivosa quanto pelos arranjos de guitarra não menos revoltados. Em Meu Mundo, a sensação é de estar ouvindo Liminha do Cordel. Todo o cd tem um ar melancólico, sabiamente sugerido por uma sonoridade vintage, anacrônica, com timbres tristonhos. Naquela mesa é a mais óbvia nessa direção, soando como algo saído da Jovem Guarda. Filha é uma faixa viciante ("Aqui é festa amor, e há tristeza em minha vida"). Por fim, Agora Sim, encerra o trabalho. Visceral e poético.

:: Careless Love (Madeleine Peyroux)
Tal como um bom vinho a musicalidade de Madeleine Peyroux é digna de uma boa degustação. Cantora de Jazz que compõe o novo cenário contemporâneo (com suas coleguinhas Diana Krall e Norah Jones), Madeleine capricha num som clássico, sempre acompanhada de piano e baixo acústico. Dance Me To The End Of Love dá as caras e Don't Wait Too Long prossegue de forma irresistível. Algumas faixas como Between the Bars e I'll Look Around são mais melancólicas e introspectivas. Careless Love é ensolarada e J'Ai Deux Amours, a única faixa em francês, é charme puro. Um álbum de jazz bem trabalhado e balanceado que vai muito bem com um vinho. Mesa pra dois, s'il vous plaît!

:: Maria Fumaça (Banda Black Rio)
Em busca de um bom funk nacional setentista já havia escutado Funk Como Le Gusta, Azymuth e Galliano. Mas foi por sorte que acabei me esbarrando com esse cd da banda Black Rio enquanto tomava uns chopes com um amigo em um boteco de São Paulo. E com certeza foi o que mais me empolgou dentre todos. O álbum é uma releitura de clássicos da música brasileira, em ritmo de funk. Tudo soa bom demais. Maria Fumaça abre a bagaça fazendo a festa. A cuíca, o chocalho e o agogô se misturam com a batera e os metais em perfeita harmonia. Na Baixa do Sapateiro, a segunda faixa, tem aqui a sua releitura mais dançante da história. É um samba doido. Ouvir Mr. Funky Samba é o mesmo que imaginar uma versão black power tupiniquim de embalos de sábado a noite. Até Baião de Luiz Gozanga entra no caldeirão. Tudo segue na mesma levada, sem perder o pique até a penúltima faixa. Na última faixa, Junia, eles metem o pé no freio e vão desacelerando. A melodia do trombone dá o tom de despedida como nos créditos de um filme de exploitation.

:: Brand New Eyes (Paramore)
Odeio música emo. Não que Paramore seja emo. Mas só o fato de ter ouvido por aí algumas tentativas frustadas de colocar esse rótulo na banda, já foi suficiente para deixar meu preconceito em estado de alerta. Após ouvir um acústico na MTV (que atualmente, por sinal, é um antro de emos) fiquei curioso e acabei baixando o novo trabalho da banda. Acabei me surpreendendo. Não deixa de ser adolescente (e é assim que me sinto ao ouvir), mas os caras são inegavelmente bons no que fazem. A vocalista Hayley Williams tem uma voz feminina mas potente, na medida certa que exige o gênero. Aliás, qual seria? Indie? Pop-punk? Whatever... Comparar com Avril Lavigne é um equívoco justificável, mas não passa de um equívoco. A banda deve ser levada mais a sério do que isso. Percebe-se que são jovens em maturação. Ignorance, Brick by Boring Brick, os dois hits, e Turn It Off (com uma ótima melodia) são evidências desse processo. Claro que algumas coisas ainda cheiram a xixi na cama, como The Only Exception, Playing God e Where the Lines Overlap. As duas faixas finais (All I Wanted e Decode) encerram o álbum de forma soturna e com uma pegada mais pesada. Deixa uma boa impressão.

:: Far (Regina Spektor)
Após escutar a trilha sonora de 500 dias com ela, fiquei interessado por Regina Spektor. Baixei o álbum Begin to Hope e fiquei viciado por alguns dias (semanas?). Queria mais e aí descobri o cd mais novo intitulado Far. Regina Spektor é uma pianista russa e possui um estilo meio difícil de rotular. Já li em algum lugar algo como anti-folk. Se macular o piano, brincando com outros instrumentos não convencionais e fazendo sons esquisitos com a boca for uma forma de não se levar muito a sério, então sim, anti-folk é uma boa caracterização. Com uma voz meio infantil e estridente, e não menos fofa e bonitinha, as melodias são sempre regidas pelo som do piano. O que mais diverte são as brincadeiras fonéticas presentes em quase todas as faixas. Eet, a segunda faixa, por exemplo, é o som da última sílaba Beat (Beat, eet, eet...). Mas a melhor faixa com certeza é Dance Anthem Of The 80's, uma baladinha com um arranjo de piano inicialmente infantil, mas que revela-se mais dissonante após a introdução. Algumas músicas são mais desaceleradas, só piano e voz (Genius Next Door, Human of The Year), sempre com lindas melodias.

:: Project (Richie Kotzen e Greg Howe)
Sempre achei que minha paixão pelo rock/metal progressivo se resumisse a uma banda (Dream Theater) e suas ramificações (Liquid Tension Project) além de algumas escutadelas de Rush. Mas fui arrebatado por esse álbum logo na primeira audição, que ocorreu por acaso, logo após o término do recital de um amigo guitarrista. É um dueto de guitarristas que se saem maravilhosamente bem tanto melodicamente quanto ritmicamente. Como dita o manual do progressivo, os tempos são cheios de quebras rítmicas e contratempos. Destaque para as faixas One Function (primeira do álbum), Present - Moment (com um ritmo empolgante e uma melodia sincopada) e a Groove Epidemic (um funk meio desacelerado). Trench é a faixa mais acelerada e virtuosa, clássico do gênero. Pena que o álbum encerra com a chatíssima e repetitiva Led Boots.

:: Quando o Canto é Reza (Roberta Sá e Trio Madeira)
De Roberta Sá eu só conhecia Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria (ganhou disco de ouro). Confesso que não me apaixonei pela sua voz naquela ocasião. Demorou um pouco, mas esse novo trabalho feito em conjunto com o Trio Madeira me arrebatou. As músicas, todas de autoria do compositor baiano Roque Ferreira, são originalmente feitas para o samba de roda. Roberta Sá adicionou o choro do Trio Madeira e fez essa bela homenagem. O cd é lindo, melodicamente impecável. Os arranjos são caprichados e as melodias arrebatam na primeira audição. Pra ser justo, precisaria destacar todo o cd. Mas, por preguiça, vou indicar as faixas que mais grudaram no meu córtex. Zambiapungo (linda de cabo a rabo), Cocada e Chita Fina (as mais divertidas), Água da Minha Sede (poética e com belos desdobramentos melódicos), Marejada (Ah... ainda tiro você no violão!). Muito massa!

Bom, é isso. Taí uma lista que reflete muito bem o meu ecleticismo musical. Espero que gostem das minhas recomendações. Boas audições!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Casados!!! :-)


E a cerimônia foi maravilhosa! Parentes e amigos vieram de longe para celebrar com a gente e oficializar a nossa união. A animação da festa foi tanta que surpreendeu até o DJ Beto Farias (recomendadíssimo), cujo setlist seguiu à risca nossas preferências. Ficamos muito satifeitos com a parte musical e visual. A decoração estava perfeita, tão linda que arrisco dizer que o pôr-do-sol nem fez tanta falta quando a iluminação foi ligada. Comes e bebes estavam deliciosos (pelo menos os que o noivo conseguiu comer, rs). A única falha foi quando o gerador parou por 10 minutos por falta de combustível. Mas isso ocorreu no início da janta, ou seja, no momento em que a festa foi menos prejudicada. Antônio Fon, o fotógrafo (outro que recomendo fortemente), trouxe uma equipe atenciosa e muito paciente. Ainda não vi as fotos originais mas tenho certeza de que fizeram um trabalho primoroso. A irmã dele, que também faz parte da equipe de fotógrafos, até ajudou Cê a colocar o vestido de noiva e conversou com ela durante a espera, para amenizar a ansiedade. :-)

Não choveu durante a festa, apesar do tempo estar um pouco nublado durante o dia. Cê estava a noiva mais linda que qualquer noivo poderia sonhar (opinião suspeita, mas sincera, rs). Parecia um sonho e tive que segurar o choro quando ela se aproximou enquanto eu a aguardava no altar. Momento realmente especial para nós dois.

Também percebi o momento em que ela segurou o choro, ao me ver com aquele olhar apaixonado que por tantas vezes já direcionei a ela e que ainda irei direcionar durante toda minha vida. O juiz, que veio como substituto (o primeiro "furou" conosco a 2 dias do casamento!) fez um discurso que, segundo relatos maternais, chegou a emocionar alguns parentes. O juiz não nos conhecia e foi contactado por um amigo dos meus sogros. Desconfio que ele era católico, o que acarretou o momento mais descontraído do altar, quando ele indagou se éramos católicos, gerando risos em alguns convidados. Apesar do momento inusitado, o discurso foi agradável e transcorreu de forma fluida e com palavras que transmitiam sinceridade, o que apreciamos bastante.


Após a cerimônia, tomamos a tradicional chuva de arroz dos padrinhos. Foram 6 casais, 3 de cada lado, que escolhemos para serem nossos padrinhos de casamento: Tâmara e René; Tiago e Tássia; Bia e Clayton no lado da noiva. Dany e Raphael; Jacque e Everton; e Lucas e Fernanda do lado do noivo. Foi tudo muito bonito e, mesmo tendo tirado fotos em todas as mesas e com praticamente todos os convidados, pais e padrinhos, ainda sobrou bastante tempo para dançar e curtir o som na companhia dos mais animados. Tivemos a nossa dança, ao som da música Sorte e seguindo a tradição, dançamos abraçados sobre os olhares de todos. Fiz um breve discurso depois, agradecendo a presença de todos, inclusive daqueles que haviam de deslocado de tão longe. Amigos e familiares de Salvador, Maceió, São Paulo, Jacobina, Irecê, Aracaju, Brasília, Recife... e o que dizer do milhares de quilômetros percorridos pelos avós e tio de Cécile para estarem ali?

Do nosso site no sistema icasei, recebemos muitas mensagens carinhosas e presentes. Nossa idéia para a lua-de-mel é fazer uma viagem pela Argentina, aproveitando uma estadia em Bariloche para esquiar na neve e fazer passeios românticos de inverno.

Masssssss... só nas férias! Já estamos de volta para São Paulo e para a rotina. O doutorado não pode esperar. A felicidade também não! Mas ela já nos acompanha desde sempre.

De Casamento

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Brincando com um Filtro Polarizador Circular

Faz algumas semanas, comprei um filtro CPL para minha Nikon D3000. Esse filtro é um polarizador circular para reflexos de luz. Com ele, é possível fotografar uma imagem espelhada, retirando (ou mantendo) o reflexo dessa superfície. Eu adquiri esse filtro por 80 reais em São Paulo e resolvi testá-lo nas minhas férias em Salvador. De cara, percebi que ao utilizar as lentes as fotos ficavam um pouco mais escuras do que o normal, o que me obrigava a utilizar aberturas maiores ou aumentar o tempo de captura. Isso ocorreu independentemente da nível de redução de reflexo que eu utilizava. Contudo, como pretendo usar as lentes para ambientes diurnos e abertos (em especial, buscava algo que me permitisse aumentar o contraste ao fotografar temas que possuem o céu como fundo), ela funcionou de maneira bastante satisfatória. Aí vão alguns testes que fiz com a lente.

Fotos tiradas da varanda: percebam o contraste entre as nuvens e o céu.

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

Fotos tiradas da mesa de vidro: o reflexo foi quase totalmente anulado.

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

Fotos tiradas de dentro do carro: é possível eliminar totalmente o reflexo do vidro frontal.

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

Update:

Ajudando a remover reflexo na oleosidade da pele (sutil mas perceptível):

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

Tirando reflexo da luz nas águas de uma piscina (esse é de matar):

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

terça-feira, 9 de março de 2010

Vacances (final)

Finalement, um último post sobre as super-hyper-tri-legais-muito-bala férias que tirei na França em companhia da família de Cê.

Continuando de onde parei, além de visitar Besançon e seus arredores também demos umas escapadas para outras localidades. Uma dessas escapadas nos levou de volta a Paris para um tour de um dia. Fomos na carona da mãe de Cê que tinha marcado uma visita com uma professora. Como não tínhamos muito tempo (chegamos à noite e partiríamos após o almoço do outro dia) decidimos visitar o Palácio de Versailles. Apesar de já terem ido algumas vezes à França (sempre para visitar a família, diga-se de passagem) Cê e Bia, minha cunhada,  nunca tinha ido lá e eu pensei: "ah, então dessa vez não passa". Era uma ótima oportunidade de conhecer um lugar que além da beleza possuía muitas histórias pra contar, especialmente para aqueles interessados pela história da revolução francesa.

Chegamos em Paris à noite. O hotel ficava próximo à Place d'Italie e saímos para jantar numa creperia  próxima dessa praça. Apesar do horário, eu, Cê e Bia ainda arriscamos uma visita à Tour Montparnasse mas ao chegar lá o terraço já estava fechado. Haviam fechado mais cedo por causa do tempo e a julgar pelo frio que já sentíamos lá embaixo a coisa devia estar glacialmente punk lá em cima.

No outro dia acordamos cedo para dar tempo de pegar o metrô + RER para o Château de Versailles. Os RER são linhas de trem que leva às localidades mais periféricas de Paris e possuem integração com as linhas de metrô. Durante o caminho ele passou por várias cidadezinhas satélites até chegar no final da linha onde descemos. Andamos uns 100 metros e voilá! O visual de fora do palácio estava interessante pois tinha nevado na noite anterior e as ruas estavam todas entapetadas de neve. A fachada do prédio estava em reforma e algumas partes já estavam restauradas. A diferença entre a parte restaurada e a velha era bem visível e quando tudo terminar imagino que vai ficar muito bonito realmente.

Em frente ao Palácio de Versailles

Restauração no Palácio de Versailles

Fachada do Palácio de Versailles

Tiramos algumas fotos do lado de fora e entramos. Pegamos o aparelhinho de áudio e fizemos a visita completa, ouvindo tudo o que podíamos sobre cada cômodo, em "portgêix de portgal". Dava até pra imaginar como viviam os nobres franceses naquele lugar imenso e repleto de luxo, alheios ao povo, até o dia da revolução, quando o palácio foi invadido. É uma história interessante. Extraí o seguinte trecho da Wikipedia (pt):

"No dia 5 de outubro de 1789 chegou às portas do palácio uma multidão de mulheres famintas e enraivecidas que havia saído de Paris para protestar junto ao rei, clamando por comida. À noite, pressionado, o rei assinou a Declaração de Direitos diante da Assembléia. À meia-noite Lafayette chegou, acompanhado de uma força de vinte mil soldados da Guarda Nacional, e reportou-se imediatamente ao rei, retirando-se em seguida para a vila de Versalhes a fim de descansar, deixando as tropas acampadas nas redondezas do palácio. Antes de raiar o dia seguinte, uma multidão conseguiu vencer os muros e portões, e invadir o palácio por várias frentes, e sucederam cenas sangrentas em seus salões e corredores. Vários chegaram até os apartamentos reais, mas foram contidos pelos guardas, resultando em mortes de ambos os lados, enquanto outros roubavam mobília e objetos valiosos. Finalmente Lafayette, tendo sido avisado, chegou, a multidão foi expulsa, e o Rei foi aconselhado a se mostrar dos balcões junto com a Rainha. Para sua surpresa, recebeu vivas e aplauso do povo reunido, mas ao mesmo tempo lhe pediam que fosse a Paris, onde os tumultos eram intensos, e não teve escolha senão aceder. Escoltado por Lafayette e a guarda, deixou Versalhes com a família no dia 6 de outubro."

Salão dos espelhos

Nos jardins do palácio

Nos jardins do palácio

Voltando de RER

Hum... dia 5 de outubro é meu aniversário. De repente, acho que descobri porque meu pai chegou a pensar em me batizar de Lafayette. Obrigado mãe! Sua sensatez me salvou dessa!

Bom, continuando...

Ainda visitamos os jardins e tiramos mais fotos antes de voltar para o hotel. Almoçamos pelas redondezas e voltamos para Montferrand-le-château.

Além dessa ida a Paris ainda fizemos mais 3 passeios durante a última semana que estivemos lá: Métabief, Neuchâtel e uma fábrica de queijo. Todas as 3 ficavam relativamente próximas e era acessíveis através da mesma rodovia. A fábrica de queijos, ou fruitiére como eles chamam, ficava na cidade de Vernierfontaine, perto de Pontarlier. Parecia uma fazenda e a fábrica era uma casinha em cima de uma colina. Fomos recebidos pela dona do estabelecimento e pedimos para visitar a fábrica. Naquele dia os funcionários estavam de folga e assim foi possível conhecer todas as salas e os intrumentos utilizados para fazer a especialidade deles, o queijo Comté. A dona foi super simpática e nos explicou como tudo era feito, desde a ordenhagem das vacas, passando pelo diversos processos necessários para a retirada da água do leite, até a prensagem nas formas. Os avós de Cê nos acompanharam nessa visita e ficaram bastante animados em conhecer como é feito o queijo que eles comem praticamente todos os dias. A dona explicou que quanto menos água (e ar) tiver o queijo mais tempo ele suporta sem estragar e por isso o processo de prensagem é bastante importante. Antes de sair de lá compramos bastante queijo pra trazer para o Brasil (ainda tenho um pedação guardado na geladeira, slept). O fato desses queijos terem suportado toda a viagem de volta dentro da minha mala (e sem soltarem odores característicos) foi uma comprovação disso. No caminho de volta, paramos numa cidadezinha, chamada Nods, e almoçamos num restaurante típico. Curiosamente, descobrimos que o dono tinha parentes no Brasil e que era fã incondicional de nada mais, nada menos que Luiz Gonzaga. A refeição? Mais queijo, claro: um autêntico fondue!

Fábrica de queijo comté

Fábrica de queijo comté

Queijos, queijos, queijos!

Comendo fondue em Nods

Montferrand-le-château fica pertinho da Suíça e mesmo antes de sair do Brasil já havíamos vislumbrado a possibilidade de fazer uma visita rápida. Assim sendo, no dia 18 de janeiro, após 2 horas de carro lá estávamos. O ponto de parada foi a cidade de Neuchâtel que fica às margens do lago de mesmo nome. Esse lago possui mais de 200 quilômetros quadrados de extensão e do outro lado pode-se admirar os alpes suícos. Uma paisagem bonita pra caráleo!
Vista de Neuchâtel
Após rodar um pouco pelo cais e pelo centro da cidade, paramos para almoçar numa "brasserie", um tipo de pub onde se serve refeições mais rápidas e vários tipos de bebida. Numa tradução literal para o português, brasserie quer dizer cervejaria. Imaginem, pois, como devo ter detestado esse lugar. Mandei um chucrute pro bucho e tomei o melhor chope das férias: biére du Lyon.

Tomando uma na brasserie

(pausa pra limpar a baba do teclado)

Como voltamos no mesmo dia, foi uma visita rápida mas agradável. Andamos pelas ruelas e subimos até o topo de uma colina onde fica uma igreja e um castelo, no meio da cidade mesmo. Ah! Fiquei impressionado com o nível de primeiro-mundismo dos suícos: até o estacionamento tinha cheiro de lavanda. :-p

Passeando em Neuchâtel
Lago Neuchâtel

Lago Neuchâtel

Casinhas suiças de Neuchâtel

Outro passeio daqueles "poxa-seria-tão-legal-se-desse-pra-ir" foi o que fizemos para a estação de esqui Métabief. Logo que chegamos o tempo fechou e começou a nevar pesado, com aqueles "flocãos" de neve. Queríamos esquiar mas todos os instrutores estavam ocupados até o final do dia. Com receio de tomar uma queda tosca e trazer uma fratura de recordação, achamos mais sensato alugar um par de raquetes e descer algum circuito caminhando mesmo. Subimos de teleférico e ventava e nevava horrores! Putz, pensei que meu rosto ia rachar ao meio de tanto frio até que finalmente chegamos no topo. Escolhemos a rota familiar e fomos descendo o percurso de 4 quilômetros aproveitando a paisagem e tirando várias fotos para a posteridade. :-)

Estação de esqui Métabief

Estação de esqui Métabief

Cê na estação de esqui

Estação de esqui Métabief

E assim, terminava a nossa viagem. À medida que a gente ia arrumando as malas no carro Cê já estava com aquelas luzes tristinhas nos olhos. Na hora de pegar a estrada de volta, muita emoção, promessas de futuras visitas de lá e de cá e agradecimentos, especialmente de minha parte, pelas férias memoráveis. Até a próxima! Au revoir!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Vacances (parte 2)

Prosseguindo o relato das férias... (aviso logo aos navegantes que o post é grande) depois que saímos de Paris (com alguma dificuldade introduzida pelo GPS), viajamos os 328km que nos separavam de Montferrand-le-Château. Chegamos lá no início da madrugada mas todos estavam acordados: Germaine e Giulio, avós de Cê, e Dominique, tio de Cê e irmão do meu sogro. A emoção do reencontro com os familiares estava estampada no rosto de todos já que não é todo dia que eles se reencontram com os familiares brazucas. Apesar do horário, ficamos conversando um pouco na sala, mas não por muito tempo. Logo, já estavam todos acomodados em seus respectivos cômodos, descansando.

A casa possui dois andares: no térreo fica a garagem, a despensa, um banheiro, uma área de serviço e a oficina de seu Giulio. No primeiro andar, temos a cozinha, a sala de estar, um toilette, um banheiro e dois quartos de casal. Os meus sogros ficaram em um deles. Subindo as escadas, no segundo andar, tinham mais dois quartos e um sanitário. Eu, Cê e Bia ficamos acomodados neles. Da janela dos quartos dava pra ver toda a paisagem daquela região: muitas árvores, córregos, flores, grama e algumas casas. O jardim da casa possuía algumas casinhas de madeira penduradas nas árvores nas quais o seu Giulio colocava alpiste e, assim, o local vivia cheio de passarinhos de várias espécies.

Entrada de Montferrând-le-château

Casa dos avós de Cê

Jardim da casa dos avós de Cê

O frio foi constante durante o tempo todo em que estivemos lá. Na maior parte do tempo ficou entre -5 e 4 graus, mas, em algumas manhãs, o temperatura ficou abaixo de -10 e fazia um frio dugarai. Nos primeiros dias, contudo, "pas de neige". O mais próximo disso foi uma leve geada que cobriu a vegetação e os telhados das casas no segundo dia.

Geada em Montferrand-le-château

Acordamos para o natal e fizemos um passeio para conhecer as redondezas de Montferrand-le-Château. Fomos andando até a cidade adjacente, Grandfontaine, um vilarejo bem bonitinho e agradável. Passamos por algumas ruas interessantes com várias casinhas típicas da região e eu conheci a igreja onde Cê foi batizada. Descemos pela rua da prefeitura e paramos em uma fonte que dá o nome a cidade e que, dizem os registros, era o lugar onde as mulheres lavavam roupas nos tempos medievais. Foi interessante notar que, o que no Brasil seria uma vila ou um lugarejo, na França é uma cidade com sua prefeitura e instituições políticas próprias. Montferrand-le-Château é uma cidade com 2.000 habitantes e Grandfontaine também deve ter algo tem torno disso. Outros vilarejos próximos são Velesmes-essarts e Boussiéres, mas ainda existe um cacetada de outros vilarejos a uma curta distância uns dos outros. Além dos vilarejos, o bosque também vale a pena ser visitado. O avô de Cê nos guiou durante uma manhã de neve pelo bosque e podemos ver vários tipos de pinheiros. Em alguns pontos as águas dos córregos já estavam completamente congeladas.

Grandfontaine

Igreja de Grandfontaine

Ponte em Grandfontaine

Durante os dias que ficamos lá, dois jantares foram bastante especiais, tanto pelos motivos que eles celebravam quanto pelos pratos que foram servidos. A ceia de natal foi um desses com direito a tudo que se tem direito: aperitivos + entrada + prato principal + queijos + sobremesa. Passar por essa maratona culinária exigia uma certa perspicácia e envergadura estomacal que só adquiri após algum tempo. Mas confesso que não foi nenhum "sacrifício". :-) Eis o que andei comendo por lá: escargot, mexilhão, tartelettes, marrom, codorna, frango, pato, coelho, vol-au-vent, bouchée à la reine, bûche de noël, galette des rois, gauffre, croque-monsieur, chucrute, foie-gras, ile-flotant, fondue, raclette, gruyére, comté, munster, morbier, cancoillotte, mont d'or, etc, etc, etc... Não à toa, engordei 4 quilos, mas bem que eu estava precisando. Outra deliciosa extravagância ocorreu no dia 25 na casa de Thérese, tia-avó de Cécile. Nesse dia, além dela, pude conhecer o restante da família: Rino, tio-avô de Cê, Laurence, Cathérine e Véronique, primas de Cê e Thomás (não sei se escreve assim) filho de Véronique.

Ceia de natal

Ceia de natal

Ceia de natal

Jantar na casa de Thérese

Montferrand-le-Château, fica a 8km de Besançon, capital da região Franche-Comté. Naturalmente, esse foi o point de vários passeios que fizemos durante as férias. Besançon é uma cidade histórica, patrimônio mundial da Unesco. Ás margens do rio Doubs, a cidade foi criada dentro de uma "boca" do rio, sendo assim, quase uma ilha. Diversas pontes foram construídas ao longo dos anos conectando os bairros mais periféricos ao centro da cidade. O trecho de terra que fica na entrada dessa boca é um imenso rochedo sobre o qual fica a Citadelle, uma grande fortificação construída na época de Louis XIV por Vauban, famoso arquiteto da realeza. Nessa fortificação ficam localizados 3 museus e um belo zoológico com tigres, leões, macacos, aves, aquário, insectário e "noctário" (um lugar escuro, repleto de ratos e outros roedores asquerosos). De lá tem-se uma bela vista de toda a cidade.

Citadelle de Vauban

Citadelle de Vauban

Tigre da citadelle de Vauban

Répteis na Citadelle de Vauban

Diversas construções da época dos romanos ainda resistem ao tempo como um arco chamado Porte Noir e algumas colunas coríntias chamadas de Square Castan. Mas o mais interessante de Besançon é a sua arquitetura representada nas ruelas dos bairros mais antigos como o Battant e em diversos edifícios históricos com o hospital Saint-Jacques, o palais Granvelle (onde fica o museu do tempo), as igrejas Saint-Jean, Saint-Pierre e de la Madeleine, o teatro municipal, o casino e l'hôtel des bains. A cidade também possui alguns pontos ilustres como as residências onde nasceram os irmãos Lumiére e o escritor Victor Hugo.

Porte Noir em Besançon

Square Castan em Besançon

Praça da prefeitura de Besançon

Igreja Saint-Jean

Ponte Battant em Besançon


Praça em frente à Igreja Saint-Pierre

Alguns lugares muitíssimo interessantes, contudo, ficam fora do perímetro urbano. Perto de Montferrand-le-Chateau há 3 lugares particularmente especiais: o castelo de Monferrand, o castelo de Thoraise e a igreja Saint-Etienne du Mont. Começando por esse último, para chegar até lá, pegamos uma trilha perto da cidade de Boussiére. A trilha estava um pouco congelada com uma crosta de neve sobre a vegetação. Lá em cima, uma pequena capela, algumas ruínas do que antes era um convento, e uma bela vista de onde pode-se ver Besançon, Montferrand-le-château, Grandfontaine e os dois castelos às margens do rio Doubs.

Trilha para Notre-Dame du Mont

Trilha para Notre-Dame du Mont

Vista da Notre-Dame du Mont

Vista da Notre-Dame du Mont

Château de Thoraise

Ruínas do château de Montferrand

Ruínas do château de Montferrand

Ruínas do château de Montferrand

Ruínas do château de Montferrand

O castelo de Thoraise era uma das paisagens preferidas do pintor Gustave Courbet e, de fato, é bem bonito de se ver, ainda intacto nas margens do rio. O castelo de Montferrand também fica na margem do rio mas em cima de um rochedo e pra chegar lá nós pegamos outra pequena trilha. Desse, contudo, restam apenas algumas ruínas de duas torres e de alguns aposentos, mas a vista de lá de cima compensou a subida e o frio de 0 grau.

Falando em frio, não demorou muito para que finalmente a neve caísse sobre a vila. Na primeira vez não durou muito tempo, mas foi mais do que o suficiente para tirar algumas fotos. Na segunda vez, contudo, nevou durante 36 horas ininterruptas de uma neve fininha em forma de pó que por lá é chamada de "poudreuse". Essa neve não é a ideal para formar bolas de neve, mas mesmo assim, com muito esforço e uma empolgação quase que infantil nos lançamos às duas tarefas clássicas: guerra de bolas de neve e o famoso boneco de neve. O resultado? Nada mal! Fiquei orgulhoso da nossa obra prima. :-)

Eu e Cê na neve

Fazendo o boneco de neve

Nosso boneco de neve

Nosso boneco de neve

Guerra!

Eu e Cê depois da guerra

À medida em que os dias passavam, o frio fazia com que a neve permanecesse e, apesar da nossa empolgação inicial, ficamos torcendo por dias mais quentes. A neve atrapalhava um pouco os planos de visitar outros lugares já que as estradas ficavam propícias a derrapagens. E enfim, quando a neve começou a derreter planejamos como seriam nossas últimas semanas de férias: castelo de Versailles, visita a uma fábrica de queijo Comté, passeio de um dia em Nêuchatel (Suíça) e conhecer a estação de esqui de Métabief. Mas isso fica para o terceiro e último post que esse aqui já bateu o recorde desse blog. Obrigado pra quem chegou até aqui e au revoir!