quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Vacances (parte 2)

Prosseguindo o relato das férias... (aviso logo aos navegantes que o post é grande) depois que saímos de Paris (com alguma dificuldade introduzida pelo GPS), viajamos os 328km que nos separavam de Montferrand-le-Château. Chegamos lá no início da madrugada mas todos estavam acordados: Germaine e Giulio, avós de Cê, e Dominique, tio de Cê e irmão do meu sogro. A emoção do reencontro com os familiares estava estampada no rosto de todos já que não é todo dia que eles se reencontram com os familiares brazucas. Apesar do horário, ficamos conversando um pouco na sala, mas não por muito tempo. Logo, já estavam todos acomodados em seus respectivos cômodos, descansando.

A casa possui dois andares: no térreo fica a garagem, a despensa, um banheiro, uma área de serviço e a oficina de seu Giulio. No primeiro andar, temos a cozinha, a sala de estar, um toilette, um banheiro e dois quartos de casal. Os meus sogros ficaram em um deles. Subindo as escadas, no segundo andar, tinham mais dois quartos e um sanitário. Eu, Cê e Bia ficamos acomodados neles. Da janela dos quartos dava pra ver toda a paisagem daquela região: muitas árvores, córregos, flores, grama e algumas casas. O jardim da casa possuía algumas casinhas de madeira penduradas nas árvores nas quais o seu Giulio colocava alpiste e, assim, o local vivia cheio de passarinhos de várias espécies.

Entrada de Montferrând-le-château

Casa dos avós de Cê

Jardim da casa dos avós de Cê

O frio foi constante durante o tempo todo em que estivemos lá. Na maior parte do tempo ficou entre -5 e 4 graus, mas, em algumas manhãs, o temperatura ficou abaixo de -10 e fazia um frio dugarai. Nos primeiros dias, contudo, "pas de neige". O mais próximo disso foi uma leve geada que cobriu a vegetação e os telhados das casas no segundo dia.

Geada em Montferrand-le-château

Acordamos para o natal e fizemos um passeio para conhecer as redondezas de Montferrand-le-Château. Fomos andando até a cidade adjacente, Grandfontaine, um vilarejo bem bonitinho e agradável. Passamos por algumas ruas interessantes com várias casinhas típicas da região e eu conheci a igreja onde Cê foi batizada. Descemos pela rua da prefeitura e paramos em uma fonte que dá o nome a cidade e que, dizem os registros, era o lugar onde as mulheres lavavam roupas nos tempos medievais. Foi interessante notar que, o que no Brasil seria uma vila ou um lugarejo, na França é uma cidade com sua prefeitura e instituições políticas próprias. Montferrand-le-Château é uma cidade com 2.000 habitantes e Grandfontaine também deve ter algo tem torno disso. Outros vilarejos próximos são Velesmes-essarts e Boussiéres, mas ainda existe um cacetada de outros vilarejos a uma curta distância uns dos outros. Além dos vilarejos, o bosque também vale a pena ser visitado. O avô de Cê nos guiou durante uma manhã de neve pelo bosque e podemos ver vários tipos de pinheiros. Em alguns pontos as águas dos córregos já estavam completamente congeladas.

Grandfontaine

Igreja de Grandfontaine

Ponte em Grandfontaine

Durante os dias que ficamos lá, dois jantares foram bastante especiais, tanto pelos motivos que eles celebravam quanto pelos pratos que foram servidos. A ceia de natal foi um desses com direito a tudo que se tem direito: aperitivos + entrada + prato principal + queijos + sobremesa. Passar por essa maratona culinária exigia uma certa perspicácia e envergadura estomacal que só adquiri após algum tempo. Mas confesso que não foi nenhum "sacrifício". :-) Eis o que andei comendo por lá: escargot, mexilhão, tartelettes, marrom, codorna, frango, pato, coelho, vol-au-vent, bouchée à la reine, bûche de noël, galette des rois, gauffre, croque-monsieur, chucrute, foie-gras, ile-flotant, fondue, raclette, gruyére, comté, munster, morbier, cancoillotte, mont d'or, etc, etc, etc... Não à toa, engordei 4 quilos, mas bem que eu estava precisando. Outra deliciosa extravagância ocorreu no dia 25 na casa de Thérese, tia-avó de Cécile. Nesse dia, além dela, pude conhecer o restante da família: Rino, tio-avô de Cê, Laurence, Cathérine e Véronique, primas de Cê e Thomás (não sei se escreve assim) filho de Véronique.

Ceia de natal

Ceia de natal

Ceia de natal

Jantar na casa de Thérese

Montferrand-le-Château, fica a 8km de Besançon, capital da região Franche-Comté. Naturalmente, esse foi o point de vários passeios que fizemos durante as férias. Besançon é uma cidade histórica, patrimônio mundial da Unesco. Ás margens do rio Doubs, a cidade foi criada dentro de uma "boca" do rio, sendo assim, quase uma ilha. Diversas pontes foram construídas ao longo dos anos conectando os bairros mais periféricos ao centro da cidade. O trecho de terra que fica na entrada dessa boca é um imenso rochedo sobre o qual fica a Citadelle, uma grande fortificação construída na época de Louis XIV por Vauban, famoso arquiteto da realeza. Nessa fortificação ficam localizados 3 museus e um belo zoológico com tigres, leões, macacos, aves, aquário, insectário e "noctário" (um lugar escuro, repleto de ratos e outros roedores asquerosos). De lá tem-se uma bela vista de toda a cidade.

Citadelle de Vauban

Citadelle de Vauban

Tigre da citadelle de Vauban

Répteis na Citadelle de Vauban

Diversas construções da época dos romanos ainda resistem ao tempo como um arco chamado Porte Noir e algumas colunas coríntias chamadas de Square Castan. Mas o mais interessante de Besançon é a sua arquitetura representada nas ruelas dos bairros mais antigos como o Battant e em diversos edifícios históricos com o hospital Saint-Jacques, o palais Granvelle (onde fica o museu do tempo), as igrejas Saint-Jean, Saint-Pierre e de la Madeleine, o teatro municipal, o casino e l'hôtel des bains. A cidade também possui alguns pontos ilustres como as residências onde nasceram os irmãos Lumiére e o escritor Victor Hugo.

Porte Noir em Besançon

Square Castan em Besançon

Praça da prefeitura de Besançon

Igreja Saint-Jean

Ponte Battant em Besançon


Praça em frente à Igreja Saint-Pierre

Alguns lugares muitíssimo interessantes, contudo, ficam fora do perímetro urbano. Perto de Montferrand-le-Chateau há 3 lugares particularmente especiais: o castelo de Monferrand, o castelo de Thoraise e a igreja Saint-Etienne du Mont. Começando por esse último, para chegar até lá, pegamos uma trilha perto da cidade de Boussiére. A trilha estava um pouco congelada com uma crosta de neve sobre a vegetação. Lá em cima, uma pequena capela, algumas ruínas do que antes era um convento, e uma bela vista de onde pode-se ver Besançon, Montferrand-le-château, Grandfontaine e os dois castelos às margens do rio Doubs.

Trilha para Notre-Dame du Mont

Trilha para Notre-Dame du Mont

Vista da Notre-Dame du Mont

Vista da Notre-Dame du Mont

Château de Thoraise

Ruínas do château de Montferrand

Ruínas do château de Montferrand

Ruínas do château de Montferrand

Ruínas do château de Montferrand

O castelo de Thoraise era uma das paisagens preferidas do pintor Gustave Courbet e, de fato, é bem bonito de se ver, ainda intacto nas margens do rio. O castelo de Montferrand também fica na margem do rio mas em cima de um rochedo e pra chegar lá nós pegamos outra pequena trilha. Desse, contudo, restam apenas algumas ruínas de duas torres e de alguns aposentos, mas a vista de lá de cima compensou a subida e o frio de 0 grau.

Falando em frio, não demorou muito para que finalmente a neve caísse sobre a vila. Na primeira vez não durou muito tempo, mas foi mais do que o suficiente para tirar algumas fotos. Na segunda vez, contudo, nevou durante 36 horas ininterruptas de uma neve fininha em forma de pó que por lá é chamada de "poudreuse". Essa neve não é a ideal para formar bolas de neve, mas mesmo assim, com muito esforço e uma empolgação quase que infantil nos lançamos às duas tarefas clássicas: guerra de bolas de neve e o famoso boneco de neve. O resultado? Nada mal! Fiquei orgulhoso da nossa obra prima. :-)

Eu e Cê na neve

Fazendo o boneco de neve

Nosso boneco de neve

Nosso boneco de neve

Guerra!

Eu e Cê depois da guerra

À medida em que os dias passavam, o frio fazia com que a neve permanecesse e, apesar da nossa empolgação inicial, ficamos torcendo por dias mais quentes. A neve atrapalhava um pouco os planos de visitar outros lugares já que as estradas ficavam propícias a derrapagens. E enfim, quando a neve começou a derreter planejamos como seriam nossas últimas semanas de férias: castelo de Versailles, visita a uma fábrica de queijo Comté, passeio de um dia em Nêuchatel (Suíça) e conhecer a estação de esqui de Métabief. Mas isso fica para o terceiro e último post que esse aqui já bateu o recorde desse blog. Obrigado pra quem chegou até aqui e au revoir!

Um comentário:

Bia disse...

aiii que saudade que bateu! :)
nem eu me lembro mais das coisas assim, você explica tudo tão direitinho :-O

foi ótima essa viagem :D
vamo que vamo pra próxima! huahua
beijos :***