terça-feira, 9 de março de 2010

Vacances (final)

Finalement, um último post sobre as super-hyper-tri-legais-muito-bala férias que tirei na França em companhia da família de Cê.

Continuando de onde parei, além de visitar Besançon e seus arredores também demos umas escapadas para outras localidades. Uma dessas escapadas nos levou de volta a Paris para um tour de um dia. Fomos na carona da mãe de Cê que tinha marcado uma visita com uma professora. Como não tínhamos muito tempo (chegamos à noite e partiríamos após o almoço do outro dia) decidimos visitar o Palácio de Versailles. Apesar de já terem ido algumas vezes à França (sempre para visitar a família, diga-se de passagem) Cê e Bia, minha cunhada,  nunca tinha ido lá e eu pensei: "ah, então dessa vez não passa". Era uma ótima oportunidade de conhecer um lugar que além da beleza possuía muitas histórias pra contar, especialmente para aqueles interessados pela história da revolução francesa.

Chegamos em Paris à noite. O hotel ficava próximo à Place d'Italie e saímos para jantar numa creperia  próxima dessa praça. Apesar do horário, eu, Cê e Bia ainda arriscamos uma visita à Tour Montparnasse mas ao chegar lá o terraço já estava fechado. Haviam fechado mais cedo por causa do tempo e a julgar pelo frio que já sentíamos lá embaixo a coisa devia estar glacialmente punk lá em cima.

No outro dia acordamos cedo para dar tempo de pegar o metrô + RER para o Château de Versailles. Os RER são linhas de trem que leva às localidades mais periféricas de Paris e possuem integração com as linhas de metrô. Durante o caminho ele passou por várias cidadezinhas satélites até chegar no final da linha onde descemos. Andamos uns 100 metros e voilá! O visual de fora do palácio estava interessante pois tinha nevado na noite anterior e as ruas estavam todas entapetadas de neve. A fachada do prédio estava em reforma e algumas partes já estavam restauradas. A diferença entre a parte restaurada e a velha era bem visível e quando tudo terminar imagino que vai ficar muito bonito realmente.

Em frente ao Palácio de Versailles

Restauração no Palácio de Versailles

Fachada do Palácio de Versailles

Tiramos algumas fotos do lado de fora e entramos. Pegamos o aparelhinho de áudio e fizemos a visita completa, ouvindo tudo o que podíamos sobre cada cômodo, em "portgêix de portgal". Dava até pra imaginar como viviam os nobres franceses naquele lugar imenso e repleto de luxo, alheios ao povo, até o dia da revolução, quando o palácio foi invadido. É uma história interessante. Extraí o seguinte trecho da Wikipedia (pt):

"No dia 5 de outubro de 1789 chegou às portas do palácio uma multidão de mulheres famintas e enraivecidas que havia saído de Paris para protestar junto ao rei, clamando por comida. À noite, pressionado, o rei assinou a Declaração de Direitos diante da Assembléia. À meia-noite Lafayette chegou, acompanhado de uma força de vinte mil soldados da Guarda Nacional, e reportou-se imediatamente ao rei, retirando-se em seguida para a vila de Versalhes a fim de descansar, deixando as tropas acampadas nas redondezas do palácio. Antes de raiar o dia seguinte, uma multidão conseguiu vencer os muros e portões, e invadir o palácio por várias frentes, e sucederam cenas sangrentas em seus salões e corredores. Vários chegaram até os apartamentos reais, mas foram contidos pelos guardas, resultando em mortes de ambos os lados, enquanto outros roubavam mobília e objetos valiosos. Finalmente Lafayette, tendo sido avisado, chegou, a multidão foi expulsa, e o Rei foi aconselhado a se mostrar dos balcões junto com a Rainha. Para sua surpresa, recebeu vivas e aplauso do povo reunido, mas ao mesmo tempo lhe pediam que fosse a Paris, onde os tumultos eram intensos, e não teve escolha senão aceder. Escoltado por Lafayette e a guarda, deixou Versalhes com a família no dia 6 de outubro."

Salão dos espelhos

Nos jardins do palácio

Nos jardins do palácio

Voltando de RER

Hum... dia 5 de outubro é meu aniversário. De repente, acho que descobri porque meu pai chegou a pensar em me batizar de Lafayette. Obrigado mãe! Sua sensatez me salvou dessa!

Bom, continuando...

Ainda visitamos os jardins e tiramos mais fotos antes de voltar para o hotel. Almoçamos pelas redondezas e voltamos para Montferrand-le-château.

Além dessa ida a Paris ainda fizemos mais 3 passeios durante a última semana que estivemos lá: Métabief, Neuchâtel e uma fábrica de queijo. Todas as 3 ficavam relativamente próximas e era acessíveis através da mesma rodovia. A fábrica de queijos, ou fruitiére como eles chamam, ficava na cidade de Vernierfontaine, perto de Pontarlier. Parecia uma fazenda e a fábrica era uma casinha em cima de uma colina. Fomos recebidos pela dona do estabelecimento e pedimos para visitar a fábrica. Naquele dia os funcionários estavam de folga e assim foi possível conhecer todas as salas e os intrumentos utilizados para fazer a especialidade deles, o queijo Comté. A dona foi super simpática e nos explicou como tudo era feito, desde a ordenhagem das vacas, passando pelo diversos processos necessários para a retirada da água do leite, até a prensagem nas formas. Os avós de Cê nos acompanharam nessa visita e ficaram bastante animados em conhecer como é feito o queijo que eles comem praticamente todos os dias. A dona explicou que quanto menos água (e ar) tiver o queijo mais tempo ele suporta sem estragar e por isso o processo de prensagem é bastante importante. Antes de sair de lá compramos bastante queijo pra trazer para o Brasil (ainda tenho um pedação guardado na geladeira, slept). O fato desses queijos terem suportado toda a viagem de volta dentro da minha mala (e sem soltarem odores característicos) foi uma comprovação disso. No caminho de volta, paramos numa cidadezinha, chamada Nods, e almoçamos num restaurante típico. Curiosamente, descobrimos que o dono tinha parentes no Brasil e que era fã incondicional de nada mais, nada menos que Luiz Gonzaga. A refeição? Mais queijo, claro: um autêntico fondue!

Fábrica de queijo comté

Fábrica de queijo comté

Queijos, queijos, queijos!

Comendo fondue em Nods

Montferrand-le-château fica pertinho da Suíça e mesmo antes de sair do Brasil já havíamos vislumbrado a possibilidade de fazer uma visita rápida. Assim sendo, no dia 18 de janeiro, após 2 horas de carro lá estávamos. O ponto de parada foi a cidade de Neuchâtel que fica às margens do lago de mesmo nome. Esse lago possui mais de 200 quilômetros quadrados de extensão e do outro lado pode-se admirar os alpes suícos. Uma paisagem bonita pra caráleo!
Vista de Neuchâtel
Após rodar um pouco pelo cais e pelo centro da cidade, paramos para almoçar numa "brasserie", um tipo de pub onde se serve refeições mais rápidas e vários tipos de bebida. Numa tradução literal para o português, brasserie quer dizer cervejaria. Imaginem, pois, como devo ter detestado esse lugar. Mandei um chucrute pro bucho e tomei o melhor chope das férias: biére du Lyon.

Tomando uma na brasserie

(pausa pra limpar a baba do teclado)

Como voltamos no mesmo dia, foi uma visita rápida mas agradável. Andamos pelas ruelas e subimos até o topo de uma colina onde fica uma igreja e um castelo, no meio da cidade mesmo. Ah! Fiquei impressionado com o nível de primeiro-mundismo dos suícos: até o estacionamento tinha cheiro de lavanda. :-p

Passeando em Neuchâtel
Lago Neuchâtel

Lago Neuchâtel

Casinhas suiças de Neuchâtel

Outro passeio daqueles "poxa-seria-tão-legal-se-desse-pra-ir" foi o que fizemos para a estação de esqui Métabief. Logo que chegamos o tempo fechou e começou a nevar pesado, com aqueles "flocãos" de neve. Queríamos esquiar mas todos os instrutores estavam ocupados até o final do dia. Com receio de tomar uma queda tosca e trazer uma fratura de recordação, achamos mais sensato alugar um par de raquetes e descer algum circuito caminhando mesmo. Subimos de teleférico e ventava e nevava horrores! Putz, pensei que meu rosto ia rachar ao meio de tanto frio até que finalmente chegamos no topo. Escolhemos a rota familiar e fomos descendo o percurso de 4 quilômetros aproveitando a paisagem e tirando várias fotos para a posteridade. :-)

Estação de esqui Métabief

Estação de esqui Métabief

Cê na estação de esqui

Estação de esqui Métabief

E assim, terminava a nossa viagem. À medida que a gente ia arrumando as malas no carro Cê já estava com aquelas luzes tristinhas nos olhos. Na hora de pegar a estrada de volta, muita emoção, promessas de futuras visitas de lá e de cá e agradecimentos, especialmente de minha parte, pelas férias memoráveis. Até a próxima! Au revoir!

Um comentário:

Anônimo disse...

Que bom voltar aqui e ver tantas boas notícias! Estão lindas as fotos. Beijos para esse casal lindo!!