terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Transferência de CNH sem despachante. Ou, como exercitar a sua paciência

Bom pessoal, ai vai um relato de como foi minha odisséia no Detran aqui de São Paulo. O procedimento não aparentava ser muito simples e já deixava ressabiado todos aqueles acostumados com a eficiência dos nossos serviços públicos: transferência e renovação de CNH. Ou seria renovação e transferência? O site do Detran não ajuda muito para esclarecer qual deles eu precisava fazer primeiro. Ou se os dois seriam feitos simultaneamente. Não dirijo em São Paulo. As distâncias que preciso percorrer rotineiramente são facilmente vencidas com ônibus e metrô. Além disso, carro é caro, polui e dá trabalho para estacionar. Porém, não é por isso que vou abdicar da minha habilitação. Vez ou outra preciso pegar num volante, seja para viagens ou quando estou de férias em Salvador.

Pois bem. Como o site não ajudava muito, entrei em contato por e-mail para tirar minhas dúvidas. Disseram-me que eu teria que solicitar primeiro a transferência e depois fazer a renovação. Voltando ao site li todas as instruções para a transferência. Cópia de RG, CPF, comprovante de residência, pagamento de taxa em um banco credenciado e comprovante de exame médico a ser realizado em clínica credenciada. Tudo isso precisava ser levado pessoalmente à sede do Detran aqui em São Paulo. Fiquei sem entender porque não poderia fazer isso num Poupatempo qualquer (aka SAC para residentes de Salvador). A boa notícia é que o Detran fica pertinho da estação Armênia do metrô. A má notícia é que mesmo assim eu precisava pegar um ônibus e duas linhas de metrô para chegar lá. Uma hora de viagem. Mal sabia eu que seria necessário fazer esse percurso 8 vezes. Se soubesse disso, tinha deixado para tirar em Salvador, durante minhas férias. Com certeza, seria muito mais rápido fazer isso num SAC da vida.

Fui logo no banco pagar a tal taxa. Falei que precisava pagar a taxa para transferência de CNH. O caixa ficou me olhando com cara de paisagem, sem entender lhufas do que eu estava falando. Chamou o gerente de caixa. Esse entendeu meu pedido, mas foi além: disse que ele tinha feito a renovação da carteira dele há pouco tempo e que foi tudo muito rápido. Me recomendou ir no Poupatempo mais próximo que lá eles resolveriam tudo simples e rapidamente. O pagamento também podia ser feito lá. E foi assim que, contrariando o que já tinha lido no site do Detran, peguei o metrô e me encaminhei para o Poupatempo da Praça da Sé. Chegando lá, aprendi uma lição: nunca confie no gerente de caixa. Segundo o atendente, não tem choro nem vela: transferência de CNH é na sede do Detran.

Cansado de pegar informação errada, decidi ir no Detran para pegar informações inloco. Já estava no meio do caminho mesmo, então voltei para o metrô prossegui até a estação Armênia. Uma dica para os iniciantes: existem dois prédios do Detran. Um do lado esquerdo e outro do lado direito do rio. Um é gigante e tem escrito DETRAN bem grande na frente. O outro é bem menor e o letreiro não é tão óbvio. Procure se informar para saber em qual ir, principalmente se estiver com pressa. :-p

Bom, chegando no prédio certo, peguei informações confiáveis e descobri que lá dentro tem um BB no qual era possível pagar a taxa de transferência. Mas já tinha passado do horário. Peguei o caminho de volta e fui direto para uma consutório médico perto de casa, afim de fazer os exames médicos. O médico já tinha saído. Era sexta-feira, então deixei agendado para a segunda pela manhã. Voltei pra casa exausto mas decidi conferir outros consultórios por perto. Descobri que tinha um na avenida Rebouças. Liguei para lá e disseram que eu podia ir na hora que eu desejasse. Fui na mesma hora, debaixo de chuva. Fiz o exame médico (um breve exame de vista), paguei e voltei pra casa com o comprovante.

Na segunda-feira, lá fui eu de novo com o comprovante médico. Tirei cópia do comprovante de residência, paguei a guia no banco e fui no setor de registro. De lá me mandaram ir em outro setor para agendar o teste teórico. Teste agendado, "favor voltar no dia e hora marcado".

No dia e hora marcado voltei para o Detran (terceira visita) para fazer o teste teórico. Fácil, fácil. Agora era pegar o resultado e entrar com o processo no setor de registro. Como fazemos para pegar o resultado? Site? Cartinha? E-mail? Não. O monitor nos avisa que para pegar o resultado tem que ser pessoalmente no próprio Detran. Estamos no século XXI e para saber se eu passei num exame teórico, eu tenho que ir pessoalmente na parada e ouvir uma mulher me dizer 'sim' ou 'não' para que eu possa voltar para casa sabendo que teria que voltar lá novamente em outro dia e horário para fazer outro exame. PQP! Agendei o exame biométrico e voltei pra casa proferindo impropérios aos quatro ventos.

Pois bem, em outro bat-horário e no mesmo bat-local, voltei para pegar o resultado do teste e fazer o exame biométrico. A atendente fez a consulta e nada do meu nome no sistema. Fui no setor de testes reclamar e depois de alguns minutos tensos, descobri que o Detran de Salvador não tinha feito ainda a transferência da minha CNH para o Detran daqui. Fui no setor de registro e relatei o problema. Tomei um chá de cadeira enquanto resolviam o problema. Problema resolvido, peguei o meu 'sim'. Mas o horário do meu exame biométrico já tinha passado e aí tive que agendar para outro dia e horário. Já era a quarta vez que voltava praquela joça.

O legal é que não dá para escolher dia nem hora para fazer o exame biométrico. Não pode comparecer? Então perca o exame e marque de novo. Ah! E o tempo de espera entre um exame e outro é de aproximadamente 20 dias. Por conta disso, não daria mais para pegar a carteira antes das férias de final de ano. Então eu fui para minhas férias, voltei, e fui no Detran em janeiro SOMENTE para dizer que perdi o exame e poder agendar em outro dia e horário. Cinco.

No dia e hora marcada, voltei ao Bostran para o exame biométrico. Exame feito, fui no setor de registro e, FINALMENTE(!) entrei com o pedido de renovação. Ouvi o que já esperava: 'tudo ok, retorne daqui a uma semana para pegar a sua carteira". Seis.

Uma semana depois, vulgo hoje, retornei ao Detran, cantarolando palavrões e com receio de ouvir surpresas como 'sua carteira ainda não está pronta' ou 'seu nome não consta no nosso sistema'. Foi quase isso. Minha carteira estava lá. Mas o nome da minha mãe estava escrito errado. Aliás isso é o desencadeamento final de outra novela que foi tirar a segunda via da minha carteira de identidade. Meu RG já estava com o nome correto. Mas a carteira de motorista antiga (e vencida) ainda estava com o nome errado. Adivinha qual foi o documento que eles escolheram para o CTRL+C CTRL+V? O atendente ainda tentou me persuadir a ficar com a carteira com o nome errado, mas, sinceramente, depois de tudo isso, fiz questão de pedir a carteira com todos os dados corretos. Claro que na sequência tomei "volte daqui a 5 dias úteis" na caixa dos pêtcho. Sete.

Enfim, semana que vem, 1 de março, voltarei ao Detran pela oitava vez para finalmente sair de lá com minha carteira de motorista, transferida e renovada. Será??????? Veremos... Nunca foi tão difícil ser motorista em São Paulo.

UPDATE: Fui no Detran e finalmente peguei minha CNH, desta vez, sem erros. Pronto. Agora só falta tirar a permissão internacional de habilitação. Aff...