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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Fim da era do gelo

De tanto ser enxugado, o gelo derreteu.

Lá se vão mais de 2 anos desde a minha última postagem aqui no blog. De lá pra cá muita coisa aconteceu. As principais, talvez, considerando o que geralmente postava por aqui, são o término do meu doutorado e a minha mudança para o Rio de Janeiro. Cécile estava em São Paulo encerrando o doutorado dela, mas agora só falta um dia para ela se juntar a mim. :-)

Final de uma fase importante e recomeço de vida em outra cidade são acontecimentos importantes o suficientes para coroarem o fechamento de um blog. Já fazia algum tempo eu vinha querendo fechar esse espaço, mas não encontrava muita motivação nem para tal tarefa (mais um sinal de que era hora de fechar as portas).

As prometidas fotos das viagens que fiz na França e em países vizinhos não serão postadas, até porque esse nível de exposição da minha vida pessoal já não me atrai como antes. Amigos e familiares próximos já tiveram ou certamente terão oportunidades para verem tais fotos e relatos.

Voltando aos fatos principais dos últimos meses, e para não dizer que não falei de flores, ficam algumas fotos de despedida. Uma da minha apresentação final de doutorado e outra da minha nova moradia.


Defesa da tese no IME-USP

Se o primeiro post do blog era ilustrado com uma foto de São Paulo e falava sobre a minha chegada lá, em 2006, para o início do meu mestrado, fica aqui a rima visual, com o Rio de Janeiro, lugar que escolhi após terminar o doutorado.

Baía da Guanabara, Rio de Janeiro

Talvez abra um novo blog, para tratar de assuntos mais específicos do meu interesse. Ainda não sei. Mas esse aqui, que nasceu e sempre ficou emocionalmente atrelado a minha vida de estudante em São Paulo, chegou ao fim.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Bonne année 2012!

O tempo passa rápido. Já faz 4 meses desde que cheguei em Grenoble, ou seja, já passou 1/3 do meu tempo aqui. Durante esses meses, defini um novo tema de pesquisa no doutorado e conheci muitos professores e estudantes do laboratório. A estadia tem sido interessante e a adaptação foi fácil. Com exceção da ausência da esposa linda... Não tem remédio pra saudade! Mas ao menos a gente está conseguindo se ver umas duas vezes por mês, seja aqui em Grenoble ou em Paris.


No final do ano passado, aproveitamos para ficar 10 dias juntos, curtindo primeiro o natal em Besançon com direito à uma visita rápida em Neuchâtel (Suíça) e na estação de ski de Métabief. Depois, voltamos e passamos o réveillon em Paris. No dia da virada, fizemos um jantar "diliça" em casa e depois fomos para a Tour Eiffel, comemorar e beber champagne no pé da torre. Sou chique, pai, rs.


Natal em Besançon

Ceia de natal em família

Presentes!

Eu com o presente que ganhei dos meus sogros

Cê linda em Neuchâtel

Clayton e Bia na estação de ski de Métabief

Eu e Cê - Reveillon em Paris

Jantar de ano novo


Mas pra chegar lá, saímos um pouco atrasados e pegamos metrô lotado. Corremos um pouco para chegar na torre antes da virada. Quando ainda estávamos no meio do trânsito, engarrafado por conta da multidão, as luzes da torre começaram a piscar anunciando 2012. Abrimos o champagne e comemoramos ali mesmo, no meio do trânsito. Detalhe cômico: enquanto tentava abrir o champagne, cortei o meu dedo no pedaço de plástico de um dos copos descartáveis. À meia-noite em ponto, a torre começou a piscar como sempre faz quando o ponteiro das horas avança. A única diferença talvez seja que dessa vez ela permaneceu iluminada enquanto piscava. Nada supreendente, mas bonito como sempre.

Eu e Cê na Tour Eiffel (e meu dedo cortado)
Nessas idas e vindas, entre Grenoble e Paris, já fizemos vários programas interessantes. Em Paris: Ópera Garnier, Hotel de Ville, Pont des Arts, Arc du Triomphe e Grand Palais (para uma exposição muito legal sobre vídeo-games). Ainda deu tempo de encontrar velhos amigos: Yupanqui e Beto.

Ópera de Paris Garnier

Dentro de Ópera

Na Ópera

Exposição no Grand Palais: jogos!

Consoles pioneiros

Cê patinando no Hôtel de Ville

Eu e Beto num pub no bairro da Bastilha


Arc du Triomphe: chama do soldado desconhecido

Eu e Cê na Pont des Arts
Tomando umas com Pinky
Pro lado de cá, as vindas de Cê também foram bastante proveitosas. Em dezembro do ano passado demos uma chegada em Lyon (Grenoble fica a uma hora de lá) para ver a Fête des Lumières (Festa das Luzes), um conjunto de instalações espalhadas por toda a cidade que exploram a luz como instrumento principal para o seus temas. A instalação mais legal era uma que projetava um jogo de fliperama na fachada de um prédio. Os elementos do prédio (portas, janelas, ornamentos) eram utilizados como referências para os obstáculos. A fila para brincar nessa instalação estava enorme afinal, não é todo dia que se joga com uma tela do tamanho de 2 andares e com o público do festival como espectador. Em Grenoble, fizemos passeio de bicicleta, visitamos o museu arqueológico com sua cripta subterrânea e subimos na bastilha.

Lyon

Eu e Cê no anfiteatro galo-romano de Lyon

Place Bellecour - Lyon

Fêtes des Lumières - Lyon

Fêtes des Lumières - Lyon

Fêtes des Lumières - Lyon

Fêtes des Lumières - Lyon

Lyon
Cê em Grenoble
Musée Archeologique de Grenoble
E com o inverno e a chegada da neve, resolvi arriscar um novo esporte além de cama+ônibus+laboratório+ônibus+cama. Estou praticando snowboard. Já me aventurei umas 6 vezes na montanha e entre quedas e hematomas já posso pelo menos dizer que não sou mais um debutante. Mas esse assunto fica pra próxima!





quarta-feira, 2 de novembro de 2011

En essuyant la glace

Salut tout le monde!

Hoje faz aproximadamente um mês que estou morando na França, mais especificamente em Grenoble. Meu tempo aqui será de um ano, durante o qual me dedicarei ao meu doutorado sanduíche no LIG (Laboratoire d'Informatique de Grenoble). Como não poderia ser diferente, esse perído inicial tem sido bem estimulante, cheio de novidades e, claro, com muita burocracia também. Cê está em Paris (ela chegou na França 15 dias antes de mim), morando com os pais e com a irmã. Por isso, estou só (uma lágrima ameaça rolar pelo rosto, silêncio, drama, rs). Mas a França é um país cortado por uma extensa malha ferroviária e a gente vai procurar se visitar com frequência, ora em Paris, ora aqui em Grenoble. Nesses primeiros dias tenho feito de um tudo um pouco: alguns passeios, muito estudo, primeiros contatos e (muita) papelada.

No momento estou hospedado numa residência universitária gerenciada pelo CROUS, uma organização que fica sobre a tutela do Ministério do Ensino Superior e da Pesquisa. Existem trocentas residências universitárias espalhadas pela cidade, mas sempre que eu buscava uma indicação, a resposta era a mesma, ou seja, Residence Galilée. Em suma, é uma residência recentemente construída/reformada que contém 61 studios de 18 metros quadrados, designada principalmente para receber estudantes e pesquisadores estrangeiros, o que é o meu caso. Talvez por ser nova, com studios mobiliados e por ter diversos serviços inclusos na mensalidade (recepção, internet, tv plana com canais fechados, ligações para fixos, água, luz, aquecimento, troca semanal de lençois e limpeza de piso, lavanderia e bicicletário) o preço seja salgadinho. Mas se eu for alugar um apartamento na mesma localização e com todos esses serviços, acredito que o preço seria bem próximo do que eu estou pagando atualmente.

Residence Galilée

Como não estou aqui a turismo, ainda conheço pouco a cidade, mas já dei os meus passeios por aí. Um dos lugares mais famosos de Grenoble é a Bastilha com o seu famoso teleférico. No meu primeiro fim-de-semana eu aproveitei para visitar o que talvez seja o lugar mais turístico da cidade. É um lugar interessantíssimo. Já tenho uma parada obrigatória quando for receber visitas. Não é uma fortificação tão robusta quando a Citadelle de Besançon, mas é tão imensa quanto, cheia de labirintos e muros de pedra, contando inclusive com uma gruta que era utilizada de forma estratégica para fins militares. Mas o melhor mesmo é a vista espetacular que se tem da cidade e dos seus arredores. Um lugar que vale a pena passar o dia, passeando, tirando fotos, ou até mesmo correndo, opção adotada por muita gente. A Bastilha fica no topo de um dos 3 complexos de montanhas que cercam a cidade: Chartreuse, Vercors e Belledonne. Durante o inverno esses complexos ficam lotados de turistas e esportistas praticantes de ski e snowboard. O mais perto fica a apenas 14 kms da cidade.

 Bastilha de Grenoble

 Tour Perret no Parc Mistral: com neve na Belledonne

 Tour Perret no Parc Mistral: sem neve na Belledonne

 Quanto ao LIG, é um laboratório filiado ao INRIA, que é a maior e mais respeitada instituição de pesquisa na França. O meu prédio fica em frente ao prédio do INRIA e não é exatamente em Grenoble, mas em uma pequena cidade vizinha chamada Montbonnot-Saint-Martin. Contudo, dá pra chegar lá pegando apenas um ônibus metropolitano comum e caminhando uns 15 minutos a partir do terminal. Seria melhor se o laboratório fosse no Campus (que também não fica exatamente em Grenoble, contudo é bem mais perto), mas a tranquilidade e isolamento do lugar, traz lá suas vantagens (distrações zero). O pessoal do laboratório foi receptivo e tem me ajudado para que eu me adapte rapidamente. Já tive algumas conversas com meu orientador francês e, apesar de estar num momento complicado do doutorado (quem leu o post sobre meu primeiro semestre sabe do que estou falando), tem sido compreensivo e tem me ajudado a direcionar minhas atividades por aqui. Por enquanto só tive um dia realmente estressante que foi na sexta passada quando tive que me apresentar formalmente ao grupo. Fiz uma apresentação em inglês (a primeira, inclusive) e eu não estava me sentindo muito à vontade. Mas, para minha surpresa, não fui massacrado com perguntas ou críticas sobre minha pesquisa. Na verdade, só recebi sugestões. Além do meu orientador, já conheço algumas pessoas com quem mantenho contato quase que diário: 3 brasucas, 2 tunisianos, 1 camaronês e 2 franceses. Sem contar com um estudante grego que conheci aqui na residência (a lavanderia é um bom lugar pra jogar conversa fora).

Local de estudo

 Voltando a falar da cidade, Grenoble é uma cidade para ciclistas. Além de ser plana, conta com uma rede de ciclovias fantástica e com inúmeros bicicletários e pontos de parada para bicicletas. Os motoristas pisam o pé no freio ao ver um ciclista ou pedestre e existem muitas vias exclusivas para ciclistas. Tive o prazer de alugar uma bike e percorrer a cidade de cabo a rabo durante o um sábado. Decidi comprar uma bicicleta num site estilo mercado livre que tem por aqui, mas por algum motivo ainda enigmático para mim, os vendedores não respondem meus e-mails (escritos em francês, que seja dito). Estou de olho em um modelo chamado B'twin comercializado pela Decathlon. Vamos ver se essa compra desempaca quando eu botar crédito no celular e ligar para os sacanas. (update: agora tô pobre. Só quando chegar a grana.)



Chafariz no centro de Grenoble

Montbonnot-St-Martin (periferia de Grenoble)

Bom, acho que por enquanto é isso. Tenho me adaptado bem à cidade e ao laboratório e tenho buscado estar em dia com minhas "afazeres de estrangeiro". Já pedi meu titre de séjour, já fiz conta no banco e já enviei alguns dados obrigatórios para a CAPES. Só falta fazer o plano de saúde daqui (Securité Sociale) que é obrigatório e ver se consigo uma ajudinha do governo para pagar meu aluguel junto a um órgão chamado CAF. A parte mais difícil da adaptação tem sido acordar. Ainda é outono e o frio não chegou pra valer, mas o sol já não está mais lá quando acordo, o que é meio bizarro para um baiano que nasceu no meio do sertão. Mas vou vencer isso também, com o tempo a gente sempre se "adapita" né véi! :-)

Para finalizar esse primeiro post como residente em terras estrangeiras, fica um belo vídeo mostrando um pouco da cidade e do que ela tem para oferecer.

Au revoir!


Bienvenue à Grenoble par VilledeGrenoble

terça-feira, 19 de julho de 2011

O semestre

Se tivesse uma só palavra para descrever esse semestre, seria: tenso. Desde situações frívolas como retirar a carteira de motorista até problemas de saúde na família, incluindo um semestre acadêmico decisivo e extenuante (nem mesmo durante a lua de mel os deuses pareciam estar do meu lado mas deixo isso para o próximo post) encerro a metade do ano com o alívio de perceber que algumas coisas foram superadas. Em relação ao meu doutorado, em particular, processos importantes estão em andamento e em breve, espero ter ótimas notícias para anunciar por aqui. Por enquanto posso dizer que finalmente estou livre de disciplinas e provas forEVER. Aulas agora, só quando eu virar professor, espero, rs.

TENSO

Aliás, o nível de tensão desses 6 meses foi o principal culpado pela baixa frequência com que tenho escrito por aqui. Anyway, segue uma breve descrição dos ocorridos.

:: Natal e Reveillon

Eu e Cê passamos o natal no interior da Bahia, com a família dos meus pais. Teve o tradicionalíssimo amigo secreto (cheio de marmeladas, há quem diga) e muitos reencontros de primos e tios. O reveillon passamos em Maceió com os pais e a irmã de Cê. Fomos à praia ver os fotos de artifício e, durante o tempo que passamos lá, aproveitamos para visitar amigos e matar as saudades. :-)

Presentes do amigo secreto

Eu e Cê (com minha "barba experience face")

:: Janeiro

Ainda em janeiro, após o reveillon, eu e Cê aproveitamos para resolver outra pendência casamentística: ensaio fotográfico. Fazia parte do pacote que fechamos com o fotógrafo Antônio Fon (que mais uma vez recomendo a todos). Ele nos levou até Marechal Deodoro, uma cidade pitoresca que fica a 30km de Maceió, perto da praia do Francês. Tiramos váaaarias fotos por lá e ficamos bastante satisfeitos com o resultado.

(Fotógrafo: Antônio Fon)

(Fotógrafo: Antônio Fon)

:: Carnaval

Optamos por passar com minha irmã na casa de praia do namorado dela que fica na Ilha Comprida, uma estância balneária situada no litoral sul de São Paulo. Só pra ter uma idéia de como o tempo e o dinheiro aqui é curto, desde que viemos morar em São Paulo essa foi somente a segunda vez que fomos visitar alguma praia paulistana. O carnaval lá foi animado por blocos de rua com escolas de samba e pequenos carros alegóricos. Acabei entrando numa cilada lá e embarquei num desses blocos junto com a galera. Pra quem mora em Salvador e entende o significado da palavra "muquiranas" tem uma idéia do que estou falando. Foi trash mas foi divertido, rs.

Cê, Jacque e Léo

Cilada...

:: Semana Santa

Durante a semana santa, matamos a saudade com nossos respectivos parentes. Inicialmente, eu em Salvador e Cê em São Paulo estudando (tadinha). Uma semana depois, invertemos: eu em São Paulo, estudando, e ela em Maceió.

:: São João

Aproveitando a curta estadia de minha irmã em Santos, aproveitamos para visitar e conhecer melhor a cidade. Não rolou forró, mas foi bem legal. Uma noite em particular, fomos para o centro de Santos e viramos a madruga num bar ao som de uma ótima banda. Rolou até "Killing in the name of" do RATM no finalzinho.

Eu e Cê na linha do trem

:: Dia-a-dia

Quanto ao cotidiano em Sampa, foi como falei e repito: tenso. Tive uma disciplina teórica obrigatória que quase me fez virar algumas noites e me deixou frustrado durante a maior parte do tempo. Perder não era uma opção e isso me deixou bastante ansioso durante as provas (coisa rara). Mas no final, consegui superar mais essa (e me superar também). Fiz também o terceiro semestre seguido no curso de francês no CAVC Idiomas e fiquei feliz com o meu progresso. Acho que evoluí bastante. Agora tenho o tempo livre para focar no meu projeto de doutorado que andava meio pra escanteio ultimamente. Mas os dias não foram preenchidos só com estudo. Entre um domingo e outro às vezes achávamos uma brecha para um piquenique ali, um teatro aqui, um cineminha acolá, enfim, coisas vitais para manter a sanidade física e mental.

Piquenique no Ibirapuera (John Pizzarelli no palco)

Domingo de sol no Ibirapuera

Dia dos namorados: fondue! :-)

No próximo post (ou próximos porque a parada vai ser longa, rs) vou fazer um relato de nossa viagem de lua-de-mel. Foi inesquecível, em todos os sentidos. Té +!