sexta-feira, 22 de julho de 2011

Lua de mel - Parte 1 (Buenos Aires)

Após o final de um longo e tenso semestre (ver post anterior) eu e Cê finalmente tiramos um tempo para fazer a nossa lua de mel. Nos casamos em outubro do ano passado e agora finalmente tivemos a nossa merecida viagem.

Apesar da correria do semestre, tentamos organizar nossa viagem na medida do possível. País: Argentina. Destinos: Buenos Aires e Bariloche. Definimos nossa agenda, compramos os vôos, pesquisamos os hotéis para não cair numa cilada e deixamos tudo acertado. Por sinal, para essa tarefa recomendo fortemente o booking e o tripadvisor. Os dois possuem reviews feitos pelos hóspedes que são muito esclarecedores e evitam surpresas desagradáveis. O Booking conta com um sistema de reservas mas não possui tantos reviews quanto o Trip Advisor que possui bastante informação. Com base nas opiniões colhidas nesses sites e em pesquisas na internet escolhemos o Querido B&B em Buenos Aires e o View Hotel em Bariloche.

As passagens foram compradas através do site decolar.com e o melhor preço que encontramos foi o da Aerolíneas Argentinas. O primeiro vôo saía no dia 06/07 para Buenos Aires, no dia 11/07 saíamos de lá para Bariloche e no dia 14/07 voltaríamos de Bariloche para São Paulo com conexão em Buenos Aires.


Algumas semanas antes da viagem, uma desagradável surpresa: o vulcão chileno Puyehue entrou em erupção e lançou cinzas pra todo o lado, incluindo Bariloche e destinos turísticos próximos como Villa Angostura. Uma chuva de cinzas vulcânicas caiu sobre essas cidades e transformou a paisagem. O Parque Nacional Nahuel Huapi ficou coberto de cinzas, incluindo o lago de mesmo nome cujas margens pareciam mais areia movediça. As imagens dos jornais mostravam uma situação aterradora e de desastre turístico. Falta de luz, de água, ar irrespirável, calçadas e ruas lamacentas... Pra completar, mesmo em lugares mais distantes do vulcão como Buenos Aires e no sul do Brasil os vôos estavam sendo cancelados por conta da nuvem de cinzas que era prejudicial às turbinas dos aviões. Ficamos tensos, acompanhando todo dia o status dos nossos vôos e os boletins meteorológicos dos nossos destinos. Através de webcams no site www.bariloche.org podíamos visualizar em tempo real como estava a cidade. Quando as coisas pareciam melhorar, o espaço aéreo era fechado novamente e vários vôos eram cancelados. Essa situação de melhoras e pioras foi se arrastando por vários dias, porém uma coisa permanecia inalterada: o aeroporto de Bariloche estava fechado e as previsões de reabertura não eram nada animadoras. Mesmo assim, tínhamos esperança de que em algumas semanas o vulcão acalmaria e os vôos voltariam à normalidade. Aliás, a melhor coisa que fizemos para nos informar melhor foi ter acompanhado as discussões na comunidade Bariloche no Orkut. Aliás, o Orkut com toda a sua decadência e comunidades inúteis ainda é uma importante fonte de informação. Centenas de pessoas compartilhavam informações e tiravam sua dúvidas com quem já estava em Bariloche, o que era muito mais confiável e atualizado do que as informações datadas dos jornais. As melhores informações vinham de Vanessa Olivatti, uma coordenadora de turismo de Bariloche que fazia upload de fotos e de vídeos diariamente, com notícias ora otimistas ora pessimistas.

Nos dias que antecederam nossa viagem a situação já estava bem melhor. O vulcão tinha diminuído sua atividade e os vôos estavam saindo normalmente. De vez em quando o aeroporto de Buenos Aires ficava fechado por meio período, mas logo reabria. Já o de Bariloche permanecia fechado e a Aerolíneas estava adotando um roteiro alternativo pela cidade de Esquel que fica a 4 horas de Bariloche. De Esquel, o governo estava disponibilizando ônibus gratuitamente para levar os passageiros para Bariloche. Falamos com a Aerolineas e deixamos registrada nossa soliticação de reacomodação nesse novo roteiro, caso o aeroporto de Bariloche não reabrisse até o dia 11/07.

1º dia (City Tour/La Boca/La Bombonera):


Nosso vôo de ida para Buenos Aires foi tranquilo. Chegamos no horário previsto e nos encaminhamos direto para o hotel com um táxi previamente contatado. O motorista era gentil e tentava nos dar dicas sobre algumas ruas e praças ao longo do caminho. Nesse momento percebemos o nosso conhecimento zero de espanhol, mas à medida em que os dias foram passando fomos nos habituando ao idioma e compreendendo melhor. Fomos muito bem recebidos pela proprietária brasileira Mariana que logo nos deu várias dicas sobre passeios e restaurantes. Por conta da correria não tínhamos conseguido planejar nossa estadia em Buenos Aires do jeito que queríamos e decidimos pegar um city tour que saía do centro da cidade para avaliar melhor nossas opções. Como não tinha chegado a hora do check in, deixamos nossas malas na recepção e fomos almoçar no Salgado, um restaurante de massas bem legal que ficava a poucas quadras do hotel.



De metrô seguimos para o centro. O metrô de Buenos Aires é chamado de Subte e é bem antigo (foi o primeiro a ser construído na América do Sul). Lembra um pouco o de Paris, com vagões e traços de arquitetura lá do começo do século XX.

Da famosa calle Florida saía o Buenos Aires Bus. Era um ônibus típico de turistas, de dois andares, com a parte superior aberta propiciando assim uma boa visão 360 graus, ideal para bater fotos e perceber os detalhes da arquitetura dos prédios. Possuía um audioguia em 8 idiomas (incluindo português, claro) com um fundo musical recheado de músicas de Astor Piazzola (a maravilhosa "Fuga e Misterio" ainda não saiu da minha cabeça de tanto que eu ouvi). Foi aí que Buenos Aires começou a nos surpreender. A quantidade de ruas, avenidas, edifícios, monumentos, museus e de parques nos deixou impressionados. Foram mais de 3 horas de circuito passando pela Plaza de Mayo, Casa Rosada, Avenida de Mayo, Plaza Congreso, San Telmo, La Boca, Caminito, Puerto Madero, Palermo, Recoleta e Avenida 9 de Julio onde fica o famoso Obelisco.



O circuito possuía diversos pontos de parada. Nesses pontos o visitante poderia descer e visitar melhor um determinado bairro. O ônibus prosseguia mas bastava retornar ao ponto e aguardar o próximo para continuar o passeio. Fizemos duas paradas: uma no estádio La Bombonera do time do Boca Juniors e outra parada estratégica no Bairro Chino para tomar um chocolate quente. No térreo do estádio há o Museo de La Pasión Boquense com calçada da fama, fotos, troféus e memórias do Boca Juniors. Possui duas estátuas: uma de Maradona e outra de Riquelme que, segundo alguns porteños com quem conversei, é o melhor jogador do mundo, a despeito da fama de Messi que pelo jeito não é muito querido por lá. :-P Tiramos algumas fotos do estádio e do bairro e pegamos o próximo ônibus que diferente do primeiro, possuia um toldo cobrindo o segundo andar (pior para tirar fotos, mas melhor para aplacar o frio que tava de matar).






Ao passar pelo Caminito não descemos pois já era final de tarde, mas decidimos que lá seria o passeio do próximo dia. Quando o ônibus entrou no trecho final do trajeto já era noite e fazia um frio congelante de 4 graus. Foi o dia mais frio durante nossa estadia em Buenos Aires. Em cima do ônibus recebendo aquele vento na cara então, imaginem... Mas curtimos o passeio até o final quando o ônibus retornou para o ponto inicial.





Chegamos já às 21hs no hotel e finalmente fizemos check in. Dessa vez pudemos conhecer o outro proprietário do hotel, o inglês Ali, marido de Mariana, também muito simpático. À noite, jantamos em uma pizzaria indicada pela Mariana, próxima ao hotel. Era jogo da Argentina (a Copa América está sendo realizada lá esse ano) e foi legal ver (e secar) os argentinos torcendo pela sua seleção. Nesse momento em que escrevo, Brasil e Argentina já estão fora da Copa América depois de apresentarem um futebol pífio. Bom para o Uruguai e Paraguai. :-) Satisfeitos e ansiosos pelos próximos dias, voltamos ao hotel e dormimos pesado pois estávamos totalmente exaustos.

2º dia (El Caminito/Parrilla Miranda):

Ainda aproveitando o nosso bilhete de City Tour (compramos para 24hs), pegamos uma carona até El Caminito, uma das ruas mais famosas de Buenos Aires localizada no bairro La Boca, região que acolheu muitos imigrantes europeus. As casas construídas nesse local eram improvisadas a partir de placas de zinco e madeira e pintadas com o que sobrava das tintas das embarcações. Daí vem o colorido intenso e diverso das habitações que agora abrigam bares, restaurantes e muitas lojas de suvenires. É um lugar bonito e cheio de ruelas, repleto de turistas, artistas e, claro, de trabalhadores informais. Foi um dos poucos lugares onde havia assédio aos turistas, principalmente dos garçons que queriam nos arrastar para seus estabelecimentos. Passamos a tarde andando pelas ruas, tirando fotos e visitando as lojinhas e a feirinha. No final da tarde paramos num bar para tomar umas, comer umas empanadas e descansar.






Já era noite quando decidimos voltar de ônibus para o centro e de lá pegar o metrô. O ônibus só aceita moedas e eu ralei um pouco para conseguir trocar meu dinheiro por elas. À noite fomos jantar em Palermo, na parrilla Miranda (parrilla equivale a uma churrascaria no Brasil). Comi o tal Ojo de Bife e Cê pediu um filé. A carne estava gostosa e o lugar era bacana. Fica numa região que lembra a Vila Madalena aqui de São Paulo com muitos bares e restaurantes. O lado ruim da noite ficou por conta do vinho que pedimos, um tal de Latitud 33. Era forte, turvo, desceu quadrado e não reagiu bem no nosso estômago.

3º dia (Centro/Calle Florida/Puerto Madero):

Reservamos o terceiro dia para conhecer o centro, em especial a Calle Florida, um grande calçadão repleto de lojas, galerias e vendedores ambulantes. De lá fomos até a Plaza de Mayo, onde fica localizada a Casa Rosada, sede da presidência da república da Argentina. Era das sacadas da Casa Rosada que Evita Perón mobilizava multidões e a Plaza de Mayo foi e ainda é palco de todo tipo de manifestações. Há mais de 30 anos, todas as quintas, as mães dos filhos desaparecidos da ditadura se reúnem para protestar nessa praça. Esse movimento é conhecido como Madres de Mayo e o símbolo é um xale branco amarrado na cabeça. Curiosamente, encontramos esse símbolo desenhado por todo o centro cívico de Bariloche, nosso outro destino.

Depois de visitar a praça, pegamos a Avenida de Mayo, uma das mais belas da cidade. Essa avenida é repleta de edifícios de estilo europeu e possui alguns estabelecimentos famosos como o Teatro Avenida e o Café Tortoni. Nesse último, entramos para conhecer e recuperar as energias com um lanche que achamos "marromeno". Mas vale a visita pela beleza do interior.

Continuamos nossa caminhada passando pela imensa Avenida 9 de Julio, uma das mais amplas do mundo. Nessa avenida fica localizado o Obelisco e o teatro Colón, a sala de espetáculos mais importante da cidade, palco de shows de balé e de música. Deve ser lindo o interior do teatro, mas quando chegamos lá o horário de visitação já tinha passado. Fica pra próxima. :-) Não ficamos muito tempo na avenida pois queríamos aproveitar o pôr-do-sol em Puerto Madero. No meio do caminho nos deparamos com uma passeata e quase fomos literalmente atropelados. Só deu tempo de atravessar a rua correndo e se abrigar no espaço de uma galeria. As eleições eram no domingo e as manifestações estavam ocorrendo todos os dias.






Puerto Madero é um lugar lindo. É um bairro nobre, com prédios modernos e cheios de escritórios. Era o antigo porto de Buenos Aires que foi totalmente remodelado na década de 90. Hoje abriga restaurantes e hotéis chiques que ficam nas margens do Rio de La Plata. Um prédio da PUC também fica por lá. Possui diversas pontes, mas a mais bela com certeza é a Puente de La Mujer (Ponte da Mulher), uma obra prima arquitetônica que fica no dique 3. Próximo à essa ponte, no mesmo dique, está atracada a Fragata Presidente Sarmiento, um navio museu belíssimo com praticamente todos os compartimentos acessíveis aos visitantes. Muito legal esse museu. Dá pra ver desde a cabine do capitão até as entranhas da casa de máquinas. Se você for em Buenos Aires, não deixe de visitar Puerto Madero e se visitar Puerto Madero não deixe de visitar esse museu. A vista do Rio de La Plata com os edifícios ao fundo também é linda tanto de dia quanto de noite.








Cansados de tanto andar, voltamos para o hotel e rapidamente nos arrumamos para o jantar que nesse dia seria especial. Tínhamos feito uma reserva no El Querandí, uma casa de tango que fica no bairro San Telmo. O jantar não era nada demais, mas estava gostoso. Ao menos, não tivemos uma surpresa desagradável com o vinho, esse sim delicioso. O show foi muito legal. Através de vários quadros, contava a história e a evolução do tango e dos seus personagens. A casa não era grande e permitia uma melhor proximidade com o palco. Os músicos e cantores que acompanhavam as performances eram muito bons. Voltamos satisfeitos e prontos para mais um dia de passeios. Mas quando chegamos no hotel, más notícias: nossos vôo para Bariloche tinha sido cancelado. Na verdade esse cancelamento era previsível já que o aeroporto de Bariloche continuava fechado. O problema era que não estávamos reacomodados no roteiro alternativo via Esquel. Fomos dormir um pouco tensos.





4º dia (Palermo/Villa Crespo/Malvon/Té Mataré Ramirez):

Primeira providência do dia foi telefonar para a decolar e verificar o status do nosso vôo. De fato, tinha sido cancelado e a Aerolineas não tinha nos reacomodado em outro vôo como havíamos pedido. Fomos num locutório (é como eles chamam as lan houses) e perdemos praticamente a manhã toda tentando ligar para a Aerolíneas, sem sucesso. Ligamos também para a decolar mas a solução permaneceu inalterada. Deixamos o problema para depois e fomos passear pelas ruas de Villa Crespo e Palermo, conhecidas pelos seus outlets de marcas famosas. Foi bom para conhecer a região, contudo, em termos de compras, foi um tanto quanto inútil já que os preços não eram nada baratos como propagandeavam por aí. Mas as lojas especializadas em artigos de couro valeram a pena pois, essas sim, estava com preços abaixo da média. Voltando ao hotel, fizemos uma parada na Confeitaria Malvon, um café charmoso com delícias de todos os tipos.



Nesse dia, fomos jantar no Te Mataré Ramirez. É um restaurante afrodisíaco com pratos temáticos que possuem nomes e descrições eróticas. O jantar é acompanhado por shows que buscam divertir e provocar os clientes. A decoração remete a um cabaré de luxo com muito vermelho, cortinas e velas por toda parte. No dia em que fomos era dia do show RuBoR - Sexo al Oído (Sexo ao ouvido), uma espécie de stand up comedy que andava na linha tênue entre o humor e a pornografia. Demos boas risadas e acho que valeu a pena a experiência. Fiquei curioso para saber como são os outros shows.



5º dia (Feira de San Telmo/Jardin Japonês/Floralis Generica/Feira da Recoleta):

Esse dia foi massa, mas começou chato. Tensos por conta do vôo cancelado, nos dirigimos bem cedo ao aeroporto para falar diretamente com a Aerolíneas (dispensamos até o café da manhã do hotel para não perder tempo). Fomos atendidos no balcão de vendas e depois de um pouco de espera fomos reacomodados em um vôo para Bariloche via Esquel no mesmo dia 11. Porém, a volta também tinha sido cancelada e não havia mais como nos reacomodar em outro vôo no dia 14. A única opção era retornar a partir do dia 17. Pensamos um pouco e resolvemos estender nossa viagem até o dia 17. Passamos meses pensando em Bariloche e agora que estávamos tão próximos não achamos justo cancelar essa parte da viagem por causa de 3 dias.

Resolvido essa pendência, fomos passear com um pouco mais de tranquilidade. Do aeroporto fomos direto para a feira de San Telmo. O bairro é bem bonito com diversos casarões e belas fachadas e a feira de rua é enorme e bastante movimentada com muitos comerciantes, artistas e claro, turistas everywhere. Pra quem gosta de feiras de rua, essa foi realmente sensacional. Tinha de tudo por lá, muitas antiguidades, livros, souvenires, quadros, performances artísticas, bandas de rua, artigos para casa, cozinha e até um mercadão de frutas, verduras e carnes. Em uma pequena praça na rua Chile, sentada em um banco está a estátua da Mafalda, personagem de quadrinhos bastante popular. Tem fila pra tirar fotos com ela. :-)




Sem perder tempo, pegamos um táxi e fomos direto para o Jardim Japonês na Recoleta. E o lugar é muuuuito bonito. Tirei trocentas fotos por lá e achei tudo maravilhoso. Fica localizado no Parque 3 de Febrero e possui um riozinho, com pontezinha, cachoeirinha, bonsai, enfim, todo aquele show de jardinagem típica que os japoneses dominam com muita maestria.




Do Jardim Japonês fomos caminhando pelo bairro da Recoleta até o MALBA mas, não sabemos porque cargas d'água, estava fechado. Continuando a caminhada, chegamos à belíssima faculdade de direito. No parque ao lado está a Floralis Generica, uma estrutura metálica gigante em forma de flor que se abre durante o dia e que se fecha durante a noite (atualmente está desativada, o que é uma pena, mas mesmo assim é um monumento bonito 'bagarai'). Antes de explorar o parque, contudo, fomos almoçar no Museu Ferrari que fica em frente afinal já eram 16hs e eu estava morto de fome.




Depois de visitar o parque, atravessamos a avenida por uma ponte esquisita com cor de chiclete (não encontrei o nome dessa bexiga) e percorremos a feira da Recoleta na Plaza Francia. Diferentemente da Feira de San Telmo, essa feira era povoada por barracas de artesanato, centenas delas. A feira fica em uma ladeira e no topo dela fica o cemitério da Recoleta e a Basílica Nossa Senhora do Pilar. Demos uma olhada no interior da igreja e aproveitamos também para conhecer a Buenos Aires Design, um centro comercial voltado para arquitetura, design e decoração.



À noite, escolhemos jantar no Sarkis em Villa Crespo, um restaurante armênio/libanês que nos foi recomendado pela Mariana. Foi um dos restaurantes com o melhor custo benefício que encontramos em Buenos Aires. A comida é farta e deliciosa. Pedi um patarrão de carneiro com molho branco e comi tudo. Cê pediu bolinhos de falafel que também estavam deliciosos. No caminho para o restaurante passamos em frente a uma milonga (clube de tango com espaço para aulas de dança) mas desistimos de entrar pois o movimento estava fraco e estávamos muitíssimo cansados.

Voltamos para o hotel e fomos dormir ansiosos pelo próximo dia. Foi nossa noite de despedida em Buenos Aires já que na manhã seguinte pegaríamos um vôo para Bariloche, nosso próximo e tão aguardado destino. Mal sabíamos que seríamos surpreendidos novamente... (continua)

terça-feira, 19 de julho de 2011

O semestre

Se tivesse uma só palavra para descrever esse semestre, seria: tenso. Desde situações frívolas como retirar a carteira de motorista até problemas de saúde na família, incluindo um semestre acadêmico decisivo e extenuante (nem mesmo durante a lua de mel os deuses pareciam estar do meu lado mas deixo isso para o próximo post) encerro a metade do ano com o alívio de perceber que algumas coisas foram superadas. Em relação ao meu doutorado, em particular, processos importantes estão em andamento e em breve, espero ter ótimas notícias para anunciar por aqui. Por enquanto posso dizer que finalmente estou livre de disciplinas e provas forEVER. Aulas agora, só quando eu virar professor, espero, rs.

TENSO

Aliás, o nível de tensão desses 6 meses foi o principal culpado pela baixa frequência com que tenho escrito por aqui. Anyway, segue uma breve descrição dos ocorridos.

:: Natal e Reveillon

Eu e Cê passamos o natal no interior da Bahia, com a família dos meus pais. Teve o tradicionalíssimo amigo secreto (cheio de marmeladas, há quem diga) e muitos reencontros de primos e tios. O reveillon passamos em Maceió com os pais e a irmã de Cê. Fomos à praia ver os fotos de artifício e, durante o tempo que passamos lá, aproveitamos para visitar amigos e matar as saudades. :-)

Presentes do amigo secreto

Eu e Cê (com minha "barba experience face")

:: Janeiro

Ainda em janeiro, após o reveillon, eu e Cê aproveitamos para resolver outra pendência casamentística: ensaio fotográfico. Fazia parte do pacote que fechamos com o fotógrafo Antônio Fon (que mais uma vez recomendo a todos). Ele nos levou até Marechal Deodoro, uma cidade pitoresca que fica a 30km de Maceió, perto da praia do Francês. Tiramos váaaarias fotos por lá e ficamos bastante satisfeitos com o resultado.

(Fotógrafo: Antônio Fon)

(Fotógrafo: Antônio Fon)

:: Carnaval

Optamos por passar com minha irmã na casa de praia do namorado dela que fica na Ilha Comprida, uma estância balneária situada no litoral sul de São Paulo. Só pra ter uma idéia de como o tempo e o dinheiro aqui é curto, desde que viemos morar em São Paulo essa foi somente a segunda vez que fomos visitar alguma praia paulistana. O carnaval lá foi animado por blocos de rua com escolas de samba e pequenos carros alegóricos. Acabei entrando numa cilada lá e embarquei num desses blocos junto com a galera. Pra quem mora em Salvador e entende o significado da palavra "muquiranas" tem uma idéia do que estou falando. Foi trash mas foi divertido, rs.

Cê, Jacque e Léo

Cilada...

:: Semana Santa

Durante a semana santa, matamos a saudade com nossos respectivos parentes. Inicialmente, eu em Salvador e Cê em São Paulo estudando (tadinha). Uma semana depois, invertemos: eu em São Paulo, estudando, e ela em Maceió.

:: São João

Aproveitando a curta estadia de minha irmã em Santos, aproveitamos para visitar e conhecer melhor a cidade. Não rolou forró, mas foi bem legal. Uma noite em particular, fomos para o centro de Santos e viramos a madruga num bar ao som de uma ótima banda. Rolou até "Killing in the name of" do RATM no finalzinho.

Eu e Cê na linha do trem

:: Dia-a-dia

Quanto ao cotidiano em Sampa, foi como falei e repito: tenso. Tive uma disciplina teórica obrigatória que quase me fez virar algumas noites e me deixou frustrado durante a maior parte do tempo. Perder não era uma opção e isso me deixou bastante ansioso durante as provas (coisa rara). Mas no final, consegui superar mais essa (e me superar também). Fiz também o terceiro semestre seguido no curso de francês no CAVC Idiomas e fiquei feliz com o meu progresso. Acho que evoluí bastante. Agora tenho o tempo livre para focar no meu projeto de doutorado que andava meio pra escanteio ultimamente. Mas os dias não foram preenchidos só com estudo. Entre um domingo e outro às vezes achávamos uma brecha para um piquenique ali, um teatro aqui, um cineminha acolá, enfim, coisas vitais para manter a sanidade física e mental.

Piquenique no Ibirapuera (John Pizzarelli no palco)

Domingo de sol no Ibirapuera

Dia dos namorados: fondue! :-)

No próximo post (ou próximos porque a parada vai ser longa, rs) vou fazer um relato de nossa viagem de lua-de-mel. Foi inesquecível, em todos os sentidos. Té +!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Transferência de CNH sem despachante. Ou, como exercitar a sua paciência

Bom pessoal, ai vai um relato de como foi minha odisséia no Detran aqui de São Paulo. O procedimento não aparentava ser muito simples e já deixava ressabiado todos aqueles acostumados com a eficiência dos nossos serviços públicos: transferência e renovação de CNH. Ou seria renovação e transferência? O site do Detran não ajuda muito para esclarecer qual deles eu precisava fazer primeiro. Ou se os dois seriam feitos simultaneamente. Não dirijo em São Paulo. As distâncias que preciso percorrer rotineiramente são facilmente vencidas com ônibus e metrô. Além disso, carro é caro, polui e dá trabalho para estacionar. Porém, não é por isso que vou abdicar da minha habilitação. Vez ou outra preciso pegar num volante, seja para viagens ou quando estou de férias em Salvador.

Pois bem. Como o site não ajudava muito, entrei em contato por e-mail para tirar minhas dúvidas. Disseram-me que eu teria que solicitar primeiro a transferência e depois fazer a renovação. Voltando ao site li todas as instruções para a transferência. Cópia de RG, CPF, comprovante de residência, pagamento de taxa em um banco credenciado e comprovante de exame médico a ser realizado em clínica credenciada. Tudo isso precisava ser levado pessoalmente à sede do Detran aqui em São Paulo. Fiquei sem entender porque não poderia fazer isso num Poupatempo qualquer (aka SAC para residentes de Salvador). A boa notícia é que o Detran fica pertinho da estação Armênia do metrô. A má notícia é que mesmo assim eu precisava pegar um ônibus e duas linhas de metrô para chegar lá. Uma hora de viagem. Mal sabia eu que seria necessário fazer esse percurso 8 vezes. Se soubesse disso, tinha deixado para tirar em Salvador, durante minhas férias. Com certeza, seria muito mais rápido fazer isso num SAC da vida.

Fui logo no banco pagar a tal taxa. Falei que precisava pagar a taxa para transferência de CNH. O caixa ficou me olhando com cara de paisagem, sem entender lhufas do que eu estava falando. Chamou o gerente de caixa. Esse entendeu meu pedido, mas foi além: disse que ele tinha feito a renovação da carteira dele há pouco tempo e que foi tudo muito rápido. Me recomendou ir no Poupatempo mais próximo que lá eles resolveriam tudo simples e rapidamente. O pagamento também podia ser feito lá. E foi assim que, contrariando o que já tinha lido no site do Detran, peguei o metrô e me encaminhei para o Poupatempo da Praça da Sé. Chegando lá, aprendi uma lição: nunca confie no gerente de caixa. Segundo o atendente, não tem choro nem vela: transferência de CNH é na sede do Detran.

Cansado de pegar informação errada, decidi ir no Detran para pegar informações inloco. Já estava no meio do caminho mesmo, então voltei para o metrô prossegui até a estação Armênia. Uma dica para os iniciantes: existem dois prédios do Detran. Um do lado esquerdo e outro do lado direito do rio. Um é gigante e tem escrito DETRAN bem grande na frente. O outro é bem menor e o letreiro não é tão óbvio. Procure se informar para saber em qual ir, principalmente se estiver com pressa. :-p

Bom, chegando no prédio certo, peguei informações confiáveis e descobri que lá dentro tem um BB no qual era possível pagar a taxa de transferência. Mas já tinha passado do horário. Peguei o caminho de volta e fui direto para uma consutório médico perto de casa, afim de fazer os exames médicos. O médico já tinha saído. Era sexta-feira, então deixei agendado para a segunda pela manhã. Voltei pra casa exausto mas decidi conferir outros consultórios por perto. Descobri que tinha um na avenida Rebouças. Liguei para lá e disseram que eu podia ir na hora que eu desejasse. Fui na mesma hora, debaixo de chuva. Fiz o exame médico (um breve exame de vista), paguei e voltei pra casa com o comprovante.

Na segunda-feira, lá fui eu de novo com o comprovante médico. Tirei cópia do comprovante de residência, paguei a guia no banco e fui no setor de registro. De lá me mandaram ir em outro setor para agendar o teste teórico. Teste agendado, "favor voltar no dia e hora marcado".

No dia e hora marcado voltei para o Detran (terceira visita) para fazer o teste teórico. Fácil, fácil. Agora era pegar o resultado e entrar com o processo no setor de registro. Como fazemos para pegar o resultado? Site? Cartinha? E-mail? Não. O monitor nos avisa que para pegar o resultado tem que ser pessoalmente no próprio Detran. Estamos no século XXI e para saber se eu passei num exame teórico, eu tenho que ir pessoalmente na parada e ouvir uma mulher me dizer 'sim' ou 'não' para que eu possa voltar para casa sabendo que teria que voltar lá novamente em outro dia e horário para fazer outro exame. PQP! Agendei o exame biométrico e voltei pra casa proferindo impropérios aos quatro ventos.

Pois bem, em outro bat-horário e no mesmo bat-local, voltei para pegar o resultado do teste e fazer o exame biométrico. A atendente fez a consulta e nada do meu nome no sistema. Fui no setor de testes reclamar e depois de alguns minutos tensos, descobri que o Detran de Salvador não tinha feito ainda a transferência da minha CNH para o Detran daqui. Fui no setor de registro e relatei o problema. Tomei um chá de cadeira enquanto resolviam o problema. Problema resolvido, peguei o meu 'sim'. Mas o horário do meu exame biométrico já tinha passado e aí tive que agendar para outro dia e horário. Já era a quarta vez que voltava praquela joça.

O legal é que não dá para escolher dia nem hora para fazer o exame biométrico. Não pode comparecer? Então perca o exame e marque de novo. Ah! E o tempo de espera entre um exame e outro é de aproximadamente 20 dias. Por conta disso, não daria mais para pegar a carteira antes das férias de final de ano. Então eu fui para minhas férias, voltei, e fui no Detran em janeiro SOMENTE para dizer que perdi o exame e poder agendar em outro dia e horário. Cinco.

No dia e hora marcada, voltei ao Bostran para o exame biométrico. Exame feito, fui no setor de registro e, FINALMENTE(!) entrei com o pedido de renovação. Ouvi o que já esperava: 'tudo ok, retorne daqui a uma semana para pegar a sua carteira". Seis.

Uma semana depois, vulgo hoje, retornei ao Detran, cantarolando palavrões e com receio de ouvir surpresas como 'sua carteira ainda não está pronta' ou 'seu nome não consta no nosso sistema'. Foi quase isso. Minha carteira estava lá. Mas o nome da minha mãe estava escrito errado. Aliás isso é o desencadeamento final de outra novela que foi tirar a segunda via da minha carteira de identidade. Meu RG já estava com o nome correto. Mas a carteira de motorista antiga (e vencida) ainda estava com o nome errado. Adivinha qual foi o documento que eles escolheram para o CTRL+C CTRL+V? O atendente ainda tentou me persuadir a ficar com a carteira com o nome errado, mas, sinceramente, depois de tudo isso, fiz questão de pedir a carteira com todos os dados corretos. Claro que na sequência tomei "volte daqui a 5 dias úteis" na caixa dos pêtcho. Sete.

Enfim, semana que vem, 1 de março, voltarei ao Detran pela oitava vez para finalmente sair de lá com minha carteira de motorista, transferida e renovada. Será??????? Veremos... Nunca foi tão difícil ser motorista em São Paulo.

UPDATE: Fui no Detran e finalmente peguei minha CNH, desta vez, sem erros. Pronto. Agora só falta tirar a permissão internacional de habilitação. Aff...

sábado, 29 de janeiro de 2011

Escuitchando III


Faz tempo desde que escrevi meu último post sobre música. Aliás, faz tempo que não escrevo nada no meu blog. O twitter tem culpa nisso, já que estimula a minha capacidade de síntese com a urgência da internet. Ou seja, estimula minha preguiça.

Sem mais delongas, segue o que andei escutando nos últimos meses e minhas humildes impressões:

:: Rock Dust light star (Jamiroquai)
Jamiroquai talvez seja uma das bandas que eu acompanho a mais tempo. Durante esse tempo pude observar a translação daquele som carregado de percussões e tecladinhos rhodes para o uso de sintetizadores e baterias eletrônicas. O legal é que o jazz e o funk sempre estiveram ali, fundidos no meio da bagaceira. Esse novo trabalho continua fazendo bastante uso de sintetizadores, mas o som voltou a ser algo mais orgânico, com a introdução de batidas mais naturalmente acústicas e riffs de guitarra. Isso é perceptível logo de cara com a faixa que abre o cd e dá nome ao disco. A segunda faixa (White Knuckle Ride) é um dance típico da banda, pra levantar o salão. Smoke and Mirrors é uma excelente surpresa: teclados vintage, sax, boa linha de baixo, enfim, tudo que tem de bom. Mas por algum motivo não empolga tanto quanto promete a introdução. All Good in The Hood por outro lado, promete e cumpre. Melhor faixa, com certeza. Bateria e linha de baixo formam uma dupla perfeita com uma levada guitarrística ao fundo. Hurtin' até aponta uma nova direção no som da banda mas revela-se pouco inspirada. Daí em diante as coisas seguem bem, na média, sem muitos altos ou baixos, com destaque para a pulsante She's A Fast Persuader. Um ótimo cd, mas não chega a ser marcante para quem já conhece a banda.

:: Muito Pouco (Paulinho Moska)
Desde que meu amigo Machado passou por essas bandas e me deixou um catatau de mp3 do Paulinho Moska, não parei mais de escutá-lo. Letras simples, mas bem boladas, melodias gostosas com arranjos que convidam o violão. É sempre assim e é sempre bom. Dessa vez, Moska arriscou um cd duplo. No Muito, as faixas são mais agitadas, acompanhadas de bateria e metais, mas não a ponto de serem dançantes. Elas terminam assim que alcançam a velocidade de cruzeiro. No Pouco, a parada é mais voz e violão, com algumas melodias quase minimalistas. Muito pouco (que já foi apresentada ao público na voz de Maria Rita e que aqui volta numa versão tango-rock), Pêndulo (sambinha delicioso com letra que faz metáforas com a geometria) e Quantas vidas você tem (batida meio jovem-guarda e letra melancólica) são as pérolas do Muito. Semicoisas (que me lembra uma canção de ninar), O tom do amor (lindíssima...), Saudade (parceria com Chico César e melhor letra do disco) e Nuvem (parceria com Pedro Aznar) dão brilho a Pouco. Engraçado que depois de escutar algumas vezes, achei que o Muito é bom mas podia ser melhor e o Pouco acaba sendo muito bom.

:: Conditions (The Temper Trap)
Talvez a melhor descoberta do ano que passou. É o primeiro trabalho dessa banda de rock australiana. O álbum é perfeito, do início ao fim. Alguns podem acusar semelhanças com o som do U2 (especialmente com o trabalho How to Dismatle an Atomic Bomb). Mas aqui a parada é mais contida, diversificada, o que deixa o álbum mais balanceado, fácil de ouvir repetidas vezes e, a cada vez, melhor. Difícil destacar uma faixa ou outra, mas Sweet Disposition é com certeza um must-listen. Os riffs de guitarra são pegajosos e com um textura espacial que faz o ouvinte viajar alguns anos-luz galáxia afora. Imersão total. Love Lost é uma excelente introdução nesse sentido: começa com um som contido, fechado, para depois explodir no refrão. Dá pra imaginar as estrelinhas saindo da guitarra. Algo parecido ocorre com Soldier On, só que o contraste é ainda maior. Down River tem a bateria como forte. Fader tem uma levada dançante com direito a um deslavado "uuuuu uh uh uh" no refrão e um som crescente de guitarras. Ressurection começa nas cinzas e desemboca em um final eletrizante, mas não sem antes passar por uma ponte de baixo e bateria que abriga o melhor riff do álbum. Science of fear mantém a empolgação até a faixa instrumental Drum Song, que encerra o trabalho. Nota 10.

:: Pilvet liikkuu, minä en (Yona)
Esse álbum foi um presente (tanto no sentido figurado como no literal) de uma amiga finlandesa. O nome do álbum quer dizer (num tradução livre) "As nuvens passam, eu não". São 11 canções belíssimas, cantadas pela voz suave de Yona e sempre acompanhada de belos arranjos de piano e violino. Não foi à toa que no mesmo dia que ganhei acabei ouvindo o cd umas 5 vezes consecutivas. As influências são diversas: jazz, reggae, folk e até um pouco de tango misturam-se num caldeirão cujo resultado é sempre algo relaxante de se ouvir. Todas as faixas são boas, mas o destaques vão para a canção que dá nome ao álbum e para a maravilhosa Uusi sävel.

:: Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos (Otto)
Nunca fui muito fã de Otto. Confesso que desde o estouro da faixa Bob na MTV, não procurei ouvir nada do sujeito. No entanto fiquei sabendo do seu casamento com a Alessandra Negrini e quando soube que seu novo trabalho era motivado pela dor de cotovelo da separação, não pensei duas vezes e baixei o trabalho. Dor de cotovelo é sempre um ótimo motivo pra fazer boa música. Crua, primeira faixa do disco já escancara isso. Tem coisa mais sincera do que a dor de alguém que canta "Mas naquela noite que eu chamei você fodia, de noite e de dia"? E, ao fundo, cordas de violino e violoncelos dando ares orquestrais ao desabafo. A lamentação segue nas faixas O Leite (com participação de Céu) e no rockão 6 minutos. Essa última se destaca no álbum tanto pela letra raivosa quanto pelos arranjos de guitarra não menos revoltados. Em Meu Mundo, a sensação é de estar ouvindo Liminha do Cordel. Todo o cd tem um ar melancólico, sabiamente sugerido por uma sonoridade vintage, anacrônica, com timbres tristonhos. Naquela mesa é a mais óbvia nessa direção, soando como algo saído da Jovem Guarda. Filha é uma faixa viciante ("Aqui é festa amor, e há tristeza em minha vida"). Por fim, Agora Sim, encerra o trabalho. Visceral e poético.

:: Careless Love (Madeleine Peyroux)
Tal como um bom vinho a musicalidade de Madeleine Peyroux é digna de uma boa degustação. Cantora de Jazz que compõe o novo cenário contemporâneo (com suas coleguinhas Diana Krall e Norah Jones), Madeleine capricha num som clássico, sempre acompanhada de piano e baixo acústico. Dance Me To The End Of Love dá as caras e Don't Wait Too Long prossegue de forma irresistível. Algumas faixas como Between the Bars e I'll Look Around são mais melancólicas e introspectivas. Careless Love é ensolarada e J'Ai Deux Amours, a única faixa em francês, é charme puro. Um álbum de jazz bem trabalhado e balanceado que vai muito bem com um vinho. Mesa pra dois, s'il vous plaît!

:: Maria Fumaça (Banda Black Rio)
Em busca de um bom funk nacional setentista já havia escutado Funk Como Le Gusta, Azymuth e Galliano. Mas foi por sorte que acabei me esbarrando com esse cd da banda Black Rio enquanto tomava uns chopes com um amigo em um boteco de São Paulo. E com certeza foi o que mais me empolgou dentre todos. O álbum é uma releitura de clássicos da música brasileira, em ritmo de funk. Tudo soa bom demais. Maria Fumaça abre a bagaça fazendo a festa. A cuíca, o chocalho e o agogô se misturam com a batera e os metais em perfeita harmonia. Na Baixa do Sapateiro, a segunda faixa, tem aqui a sua releitura mais dançante da história. É um samba doido. Ouvir Mr. Funky Samba é o mesmo que imaginar uma versão black power tupiniquim de embalos de sábado a noite. Até Baião de Luiz Gozanga entra no caldeirão. Tudo segue na mesma levada, sem perder o pique até a penúltima faixa. Na última faixa, Junia, eles metem o pé no freio e vão desacelerando. A melodia do trombone dá o tom de despedida como nos créditos de um filme de exploitation.

:: Brand New Eyes (Paramore)
Odeio música emo. Não que Paramore seja emo. Mas só o fato de ter ouvido por aí algumas tentativas frustadas de colocar esse rótulo na banda, já foi suficiente para deixar meu preconceito em estado de alerta. Após ouvir um acústico na MTV (que atualmente, por sinal, é um antro de emos) fiquei curioso e acabei baixando o novo trabalho da banda. Acabei me surpreendendo. Não deixa de ser adolescente (e é assim que me sinto ao ouvir), mas os caras são inegavelmente bons no que fazem. A vocalista Hayley Williams tem uma voz feminina mas potente, na medida certa que exige o gênero. Aliás, qual seria? Indie? Pop-punk? Whatever... Comparar com Avril Lavigne é um equívoco justificável, mas não passa de um equívoco. A banda deve ser levada mais a sério do que isso. Percebe-se que são jovens em maturação. Ignorance, Brick by Boring Brick, os dois hits, e Turn It Off (com uma ótima melodia) são evidências desse processo. Claro que algumas coisas ainda cheiram a xixi na cama, como The Only Exception, Playing God e Where the Lines Overlap. As duas faixas finais (All I Wanted e Decode) encerram o álbum de forma soturna e com uma pegada mais pesada. Deixa uma boa impressão.

:: Far (Regina Spektor)
Após escutar a trilha sonora de 500 dias com ela, fiquei interessado por Regina Spektor. Baixei o álbum Begin to Hope e fiquei viciado por alguns dias (semanas?). Queria mais e aí descobri o cd mais novo intitulado Far. Regina Spektor é uma pianista russa e possui um estilo meio difícil de rotular. Já li em algum lugar algo como anti-folk. Se macular o piano, brincando com outros instrumentos não convencionais e fazendo sons esquisitos com a boca for uma forma de não se levar muito a sério, então sim, anti-folk é uma boa caracterização. Com uma voz meio infantil e estridente, e não menos fofa e bonitinha, as melodias são sempre regidas pelo som do piano. O que mais diverte são as brincadeiras fonéticas presentes em quase todas as faixas. Eet, a segunda faixa, por exemplo, é o som da última sílaba Beat (Beat, eet, eet...). Mas a melhor faixa com certeza é Dance Anthem Of The 80's, uma baladinha com um arranjo de piano inicialmente infantil, mas que revela-se mais dissonante após a introdução. Algumas músicas são mais desaceleradas, só piano e voz (Genius Next Door, Human of The Year), sempre com lindas melodias.

:: Project (Richie Kotzen e Greg Howe)
Sempre achei que minha paixão pelo rock/metal progressivo se resumisse a uma banda (Dream Theater) e suas ramificações (Liquid Tension Project) além de algumas escutadelas de Rush. Mas fui arrebatado por esse álbum logo na primeira audição, que ocorreu por acaso, logo após o término do recital de um amigo guitarrista. É um dueto de guitarristas que se saem maravilhosamente bem tanto melodicamente quanto ritmicamente. Como dita o manual do progressivo, os tempos são cheios de quebras rítmicas e contratempos. Destaque para as faixas One Function (primeira do álbum), Present - Moment (com um ritmo empolgante e uma melodia sincopada) e a Groove Epidemic (um funk meio desacelerado). Trench é a faixa mais acelerada e virtuosa, clássico do gênero. Pena que o álbum encerra com a chatíssima e repetitiva Led Boots.

:: Quando o Canto é Reza (Roberta Sá e Trio Madeira)
De Roberta Sá eu só conhecia Que Belo Estranho Dia Para Se Ter Alegria (ganhou disco de ouro). Confesso que não me apaixonei pela sua voz naquela ocasião. Demorou um pouco, mas esse novo trabalho feito em conjunto com o Trio Madeira me arrebatou. As músicas, todas de autoria do compositor baiano Roque Ferreira, são originalmente feitas para o samba de roda. Roberta Sá adicionou o choro do Trio Madeira e fez essa bela homenagem. O cd é lindo, melodicamente impecável. Os arranjos são caprichados e as melodias arrebatam na primeira audição. Pra ser justo, precisaria destacar todo o cd. Mas, por preguiça, vou indicar as faixas que mais grudaram no meu córtex. Zambiapungo (linda de cabo a rabo), Cocada e Chita Fina (as mais divertidas), Água da Minha Sede (poética e com belos desdobramentos melódicos), Marejada (Ah... ainda tiro você no violão!). Muito massa!

Bom, é isso. Taí uma lista que reflete muito bem o meu ecleticismo musical. Espero que gostem das minhas recomendações. Boas audições!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Casados!!! :-)


E a cerimônia foi maravilhosa! Parentes e amigos vieram de longe para celebrar com a gente e oficializar a nossa união. A animação da festa foi tanta que surpreendeu até o DJ Beto Farias (recomendadíssimo), cujo setlist seguiu à risca nossas preferências. Ficamos muito satifeitos com a parte musical e visual. A decoração estava perfeita, tão linda que arrisco dizer que o pôr-do-sol nem fez tanta falta quando a iluminação foi ligada. Comes e bebes estavam deliciosos (pelo menos os que o noivo conseguiu comer, rs). A única falha foi quando o gerador parou por 10 minutos por falta de combustível. Mas isso ocorreu no início da janta, ou seja, no momento em que a festa foi menos prejudicada. Antônio Fon, o fotógrafo (outro que recomendo fortemente), trouxe uma equipe atenciosa e muito paciente. Ainda não vi as fotos originais mas tenho certeza de que fizeram um trabalho primoroso. A irmã dele, que também faz parte da equipe de fotógrafos, até ajudou Cê a colocar o vestido de noiva e conversou com ela durante a espera, para amenizar a ansiedade. :-)

Não choveu durante a festa, apesar do tempo estar um pouco nublado durante o dia. Cê estava a noiva mais linda que qualquer noivo poderia sonhar (opinião suspeita, mas sincera, rs). Parecia um sonho e tive que segurar o choro quando ela se aproximou enquanto eu a aguardava no altar. Momento realmente especial para nós dois.

Também percebi o momento em que ela segurou o choro, ao me ver com aquele olhar apaixonado que por tantas vezes já direcionei a ela e que ainda irei direcionar durante toda minha vida. O juiz, que veio como substituto (o primeiro "furou" conosco a 2 dias do casamento!) fez um discurso que, segundo relatos maternais, chegou a emocionar alguns parentes. O juiz não nos conhecia e foi contactado por um amigo dos meus sogros. Desconfio que ele era católico, o que acarretou o momento mais descontraído do altar, quando ele indagou se éramos católicos, gerando risos em alguns convidados. Apesar do momento inusitado, o discurso foi agradável e transcorreu de forma fluida e com palavras que transmitiam sinceridade, o que apreciamos bastante.


Após a cerimônia, tomamos a tradicional chuva de arroz dos padrinhos. Foram 6 casais, 3 de cada lado, que escolhemos para serem nossos padrinhos de casamento: Tâmara e René; Tiago e Tássia; Bia e Clayton no lado da noiva. Dany e Raphael; Jacque e Everton; e Lucas e Fernanda do lado do noivo. Foi tudo muito bonito e, mesmo tendo tirado fotos em todas as mesas e com praticamente todos os convidados, pais e padrinhos, ainda sobrou bastante tempo para dançar e curtir o som na companhia dos mais animados. Tivemos a nossa dança, ao som da música Sorte e seguindo a tradição, dançamos abraçados sobre os olhares de todos. Fiz um breve discurso depois, agradecendo a presença de todos, inclusive daqueles que haviam de deslocado de tão longe. Amigos e familiares de Salvador, Maceió, São Paulo, Jacobina, Irecê, Aracaju, Brasília, Recife... e o que dizer do milhares de quilômetros percorridos pelos avós e tio de Cécile para estarem ali?

Do nosso site no sistema icasei, recebemos muitas mensagens carinhosas e presentes. Nossa idéia para a lua-de-mel é fazer uma viagem pela Argentina, aproveitando uma estadia em Bariloche para esquiar na neve e fazer passeios românticos de inverno.

Masssssss... só nas férias! Já estamos de volta para São Paulo e para a rotina. O doutorado não pode esperar. A felicidade também não! Mas ela já nos acompanha desde sempre.

De Casamento

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Brincando com um Filtro Polarizador Circular

Faz algumas semanas, comprei um filtro CPL para minha Nikon D3000. Esse filtro é um polarizador circular para reflexos de luz. Com ele, é possível fotografar uma imagem espelhada, retirando (ou mantendo) o reflexo dessa superfície. Eu adquiri esse filtro por 80 reais em São Paulo e resolvi testá-lo nas minhas férias em Salvador. De cara, percebi que ao utilizar as lentes as fotos ficavam um pouco mais escuras do que o normal, o que me obrigava a utilizar aberturas maiores ou aumentar o tempo de captura. Isso ocorreu independentemente da nível de redução de reflexo que eu utilizava. Contudo, como pretendo usar as lentes para ambientes diurnos e abertos (em especial, buscava algo que me permitisse aumentar o contraste ao fotografar temas que possuem o céu como fundo), ela funcionou de maneira bastante satisfatória. Aí vão alguns testes que fiz com a lente.

Fotos tiradas da varanda: percebam o contraste entre as nuvens e o céu.

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

Fotos tiradas da mesa de vidro: o reflexo foi quase totalmente anulado.

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

Fotos tiradas de dentro do carro: é possível eliminar totalmente o reflexo do vidro frontal.

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

Update:

Ajudando a remover reflexo na oleosidade da pele (sutil mas perceptível):

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

Tirando reflexo da luz nas águas de uma piscina (esse é de matar):

De Enxugando Gelo

De Enxugando Gelo

terça-feira, 9 de março de 2010

Vacances (final)

Finalement, um último post sobre as super-hyper-tri-legais-muito-bala férias que tirei na França em companhia da família de Cê.

Continuando de onde parei, além de visitar Besançon e seus arredores também demos umas escapadas para outras localidades. Uma dessas escapadas nos levou de volta a Paris para um tour de um dia. Fomos na carona da mãe de Cê que tinha marcado uma visita com uma professora. Como não tínhamos muito tempo (chegamos à noite e partiríamos após o almoço do outro dia) decidimos visitar o Palácio de Versailles. Apesar de já terem ido algumas vezes à França (sempre para visitar a família, diga-se de passagem) Cê e Bia, minha cunhada,  nunca tinha ido lá e eu pensei: "ah, então dessa vez não passa". Era uma ótima oportunidade de conhecer um lugar que além da beleza possuía muitas histórias pra contar, especialmente para aqueles interessados pela história da revolução francesa.

Chegamos em Paris à noite. O hotel ficava próximo à Place d'Italie e saímos para jantar numa creperia  próxima dessa praça. Apesar do horário, eu, Cê e Bia ainda arriscamos uma visita à Tour Montparnasse mas ao chegar lá o terraço já estava fechado. Haviam fechado mais cedo por causa do tempo e a julgar pelo frio que já sentíamos lá embaixo a coisa devia estar glacialmente punk lá em cima.

No outro dia acordamos cedo para dar tempo de pegar o metrô + RER para o Château de Versailles. Os RER são linhas de trem que leva às localidades mais periféricas de Paris e possuem integração com as linhas de metrô. Durante o caminho ele passou por várias cidadezinhas satélites até chegar no final da linha onde descemos. Andamos uns 100 metros e voilá! O visual de fora do palácio estava interessante pois tinha nevado na noite anterior e as ruas estavam todas entapetadas de neve. A fachada do prédio estava em reforma e algumas partes já estavam restauradas. A diferença entre a parte restaurada e a velha era bem visível e quando tudo terminar imagino que vai ficar muito bonito realmente.

Em frente ao Palácio de Versailles

Restauração no Palácio de Versailles

Fachada do Palácio de Versailles

Tiramos algumas fotos do lado de fora e entramos. Pegamos o aparelhinho de áudio e fizemos a visita completa, ouvindo tudo o que podíamos sobre cada cômodo, em "portgêix de portgal". Dava até pra imaginar como viviam os nobres franceses naquele lugar imenso e repleto de luxo, alheios ao povo, até o dia da revolução, quando o palácio foi invadido. É uma história interessante. Extraí o seguinte trecho da Wikipedia (pt):

"No dia 5 de outubro de 1789 chegou às portas do palácio uma multidão de mulheres famintas e enraivecidas que havia saído de Paris para protestar junto ao rei, clamando por comida. À noite, pressionado, o rei assinou a Declaração de Direitos diante da Assembléia. À meia-noite Lafayette chegou, acompanhado de uma força de vinte mil soldados da Guarda Nacional, e reportou-se imediatamente ao rei, retirando-se em seguida para a vila de Versalhes a fim de descansar, deixando as tropas acampadas nas redondezas do palácio. Antes de raiar o dia seguinte, uma multidão conseguiu vencer os muros e portões, e invadir o palácio por várias frentes, e sucederam cenas sangrentas em seus salões e corredores. Vários chegaram até os apartamentos reais, mas foram contidos pelos guardas, resultando em mortes de ambos os lados, enquanto outros roubavam mobília e objetos valiosos. Finalmente Lafayette, tendo sido avisado, chegou, a multidão foi expulsa, e o Rei foi aconselhado a se mostrar dos balcões junto com a Rainha. Para sua surpresa, recebeu vivas e aplauso do povo reunido, mas ao mesmo tempo lhe pediam que fosse a Paris, onde os tumultos eram intensos, e não teve escolha senão aceder. Escoltado por Lafayette e a guarda, deixou Versalhes com a família no dia 6 de outubro."

Salão dos espelhos

Nos jardins do palácio

Nos jardins do palácio

Voltando de RER

Hum... dia 5 de outubro é meu aniversário. De repente, acho que descobri porque meu pai chegou a pensar em me batizar de Lafayette. Obrigado mãe! Sua sensatez me salvou dessa!

Bom, continuando...

Ainda visitamos os jardins e tiramos mais fotos antes de voltar para o hotel. Almoçamos pelas redondezas e voltamos para Montferrand-le-château.

Além dessa ida a Paris ainda fizemos mais 3 passeios durante a última semana que estivemos lá: Métabief, Neuchâtel e uma fábrica de queijo. Todas as 3 ficavam relativamente próximas e era acessíveis através da mesma rodovia. A fábrica de queijos, ou fruitiére como eles chamam, ficava na cidade de Vernierfontaine, perto de Pontarlier. Parecia uma fazenda e a fábrica era uma casinha em cima de uma colina. Fomos recebidos pela dona do estabelecimento e pedimos para visitar a fábrica. Naquele dia os funcionários estavam de folga e assim foi possível conhecer todas as salas e os intrumentos utilizados para fazer a especialidade deles, o queijo Comté. A dona foi super simpática e nos explicou como tudo era feito, desde a ordenhagem das vacas, passando pelo diversos processos necessários para a retirada da água do leite, até a prensagem nas formas. Os avós de Cê nos acompanharam nessa visita e ficaram bastante animados em conhecer como é feito o queijo que eles comem praticamente todos os dias. A dona explicou que quanto menos água (e ar) tiver o queijo mais tempo ele suporta sem estragar e por isso o processo de prensagem é bastante importante. Antes de sair de lá compramos bastante queijo pra trazer para o Brasil (ainda tenho um pedação guardado na geladeira, slept). O fato desses queijos terem suportado toda a viagem de volta dentro da minha mala (e sem soltarem odores característicos) foi uma comprovação disso. No caminho de volta, paramos numa cidadezinha, chamada Nods, e almoçamos num restaurante típico. Curiosamente, descobrimos que o dono tinha parentes no Brasil e que era fã incondicional de nada mais, nada menos que Luiz Gonzaga. A refeição? Mais queijo, claro: um autêntico fondue!

Fábrica de queijo comté

Fábrica de queijo comté

Queijos, queijos, queijos!

Comendo fondue em Nods

Montferrand-le-château fica pertinho da Suíça e mesmo antes de sair do Brasil já havíamos vislumbrado a possibilidade de fazer uma visita rápida. Assim sendo, no dia 18 de janeiro, após 2 horas de carro lá estávamos. O ponto de parada foi a cidade de Neuchâtel que fica às margens do lago de mesmo nome. Esse lago possui mais de 200 quilômetros quadrados de extensão e do outro lado pode-se admirar os alpes suícos. Uma paisagem bonita pra caráleo!
Vista de Neuchâtel
Após rodar um pouco pelo cais e pelo centro da cidade, paramos para almoçar numa "brasserie", um tipo de pub onde se serve refeições mais rápidas e vários tipos de bebida. Numa tradução literal para o português, brasserie quer dizer cervejaria. Imaginem, pois, como devo ter detestado esse lugar. Mandei um chucrute pro bucho e tomei o melhor chope das férias: biére du Lyon.

Tomando uma na brasserie

(pausa pra limpar a baba do teclado)

Como voltamos no mesmo dia, foi uma visita rápida mas agradável. Andamos pelas ruelas e subimos até o topo de uma colina onde fica uma igreja e um castelo, no meio da cidade mesmo. Ah! Fiquei impressionado com o nível de primeiro-mundismo dos suícos: até o estacionamento tinha cheiro de lavanda. :-p

Passeando em Neuchâtel
Lago Neuchâtel

Lago Neuchâtel

Casinhas suiças de Neuchâtel

Outro passeio daqueles "poxa-seria-tão-legal-se-desse-pra-ir" foi o que fizemos para a estação de esqui Métabief. Logo que chegamos o tempo fechou e começou a nevar pesado, com aqueles "flocãos" de neve. Queríamos esquiar mas todos os instrutores estavam ocupados até o final do dia. Com receio de tomar uma queda tosca e trazer uma fratura de recordação, achamos mais sensato alugar um par de raquetes e descer algum circuito caminhando mesmo. Subimos de teleférico e ventava e nevava horrores! Putz, pensei que meu rosto ia rachar ao meio de tanto frio até que finalmente chegamos no topo. Escolhemos a rota familiar e fomos descendo o percurso de 4 quilômetros aproveitando a paisagem e tirando várias fotos para a posteridade. :-)

Estação de esqui Métabief

Estação de esqui Métabief

Cê na estação de esqui

Estação de esqui Métabief

E assim, terminava a nossa viagem. À medida que a gente ia arrumando as malas no carro Cê já estava com aquelas luzes tristinhas nos olhos. Na hora de pegar a estrada de volta, muita emoção, promessas de futuras visitas de lá e de cá e agradecimentos, especialmente de minha parte, pelas férias memoráveis. Até a próxima! Au revoir!