terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Fingerstyle

Estava eu a procastinar na net (coisa rara) procurando top lists de solos de guitarras quando de repente, entre dezenas de vídeos com descrições como "impossible guitar" ou "best guitar solo ever", clico no vídeo de um gordinho barbudo com um violão. Mal escutei as primeiras notas e já percebi algo muito peculiar na forma em como o cara tocava no braço do violão, batendo a ponta dos dedos nas cordas como se fossem teclas de piano. Claro que já conheço essa técnica desde a primeira vez em que vi e ouvi Stanley Jordan tocando. Ninguém fica ileso a uma experiência visual e auditiva como essa. Essa técnica é conhecida como fingertapping e, não por acaso, é muito utilizada por guitarristas de heavy metal e metal progressivo, afinal, dá um efeito muito louco (ou muito chato, se o cara for um metaleiro punhetero e abusar da técnica).

Bem, dito isso, percebi que a técnica utilizada por esse artista era diferente de tudo que já tinha visto antes. A melodia era mais fluida, e as batidas das pontas dos dedos era intercaladas com acordes abertos, batidas no corpo do violão e com o uso constante das harmônicas. Tive praticamente um orgasmo auditivo e logo depois já estava procurando outros vídeos com artistas semelhantes. Fiquei surpreso em achar vários vídeos semelhantes, artistas adeptos do mesmo estilo, com melodias praticamente divinas. Acabei descobrindo que 3 artistas (John Mckee, Antoine Durfour e Don Ross) fazem parte da mesma gravadora independente (Candyrat Records) e que todos são adeptos do fingerstyle. Compartilho aqui com vocês alguns desses vídeos que encontrei. Espero que gostem!

Esse foi o primeiro que escutei do americano Andy Mckee. Em outros vídeos ele chega a usar um instrumento híbrido de harpa com violão. Muito foda... Essa música se chama Drifting.



De todos que ouvi, o canadense Antoine foi o que achei melhor. Além de esbanjar técnica o cara só faz música bonita. Dá pra ouvir suas canções durante horas. O nome dessa: Ashes in the Sea



O Don Ross is the "MASTHA". O cara é influência para praticamente todos os artistas do gênero. Escutei pouca coisa dele, mas essa música - Elevation - com certeza é a THE BEST.



Por fim, esse Erik Mongrain (também canadense e também do Québec) vai além do que o estilo propõe e por isso consegue se distinguir mais dos outros. Música desse vídeo: AirTap.



Depois de ver esses caras fiquei com aquela vontade de comprar um violão com cordas de aço e passar algumas horas diárias treinando pra ver se sai alguma coisa. Mas no momento meu foco, meu tempo e meu dinheiro (ou melhor, a falta dele) estão concentrados em outras atividades. :-p

3 comentários:

mhct disse...

Rapaz, esse Andy McKee é muito bom mesmo, tenho ouvido muito desde sua última postagem.

Valeu pela dica.

Anônimo disse...

Excelente nota, Vinnie! Ótimas críticas. Apreciei todos os instrumentistas com suas variadas excepcionalidades em torno da mesma técnica geral.

A idéia de extrair som por martelar as casas do braço e o próprio corpo do violão (por extensão, o trabalho de percussão em si) recordou-me a experiência musical propiciada pelo Uakti.

P.S.: Se não se recorda, o Uakti é um grupo brasileiro (originário de Minas salvo engano) cuja sonoridade é inigualável. Pelo que sinto, o Uakti reside na obtenção de sons (e cores, e imagens e outras impressões) de diversos instrumentos (criados por eles ou não, similares -- ou os tais por si -- ao que costumeiramente se reconhece como instrumentos musicais ou não) de uma maneira visceral, natural, telúrica e, contraditoriamente, etérea. Som de mata, som de natureza, som popular, som com sofisticação. Aqui, uma gravação antológica de um trecho das Bachianas nº 5 de Heitor Villa-Lobos.

Anônimo disse...

Vini, sooouvi o Antoine, mas me apaixonei! Bom ter amigos que tem bom gosto!

Um bjao,
Pat