segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Campus Party BR

O I Campus Party Brasil ocorreu durante toda a semana passada, no prédio da Bienal, que fica localizado no parque do Ibirapuera, São Paulo. Algumas impressões sobre o evento:

- Segurança foi uma das prioridades: mochilas e sacolas eram revistadas sempre que as pessoas passavam de um andar para o outro, o que deixava os campuseros mais traquilos para largar suas máquinas nas mesas e ficar à vontade para ver o que estava ocorrendo no evento.

- Por conta disso, o acampamento foi realizado dentro do prédio, no último andar (e algumas barracas no térreo também), apesar do evento ser em um parque como o Ibirapuera. Isso facilitou as partes de segurança e infra-estrutura.

- Quem quisesse sair pra algum reague (leia-se balada) e voltar no meio da noite podia combinar com um taxi credenciado no evento. Só os taxis credenciados podiam entrar no parque (que de madrugada mantém seus portões fechados). Pena que poucas pessoas sabiam disso. Algumas pessoas reclamaram que saíram e não poderam entrar no prédio da Bienal depois da meia-noite. Fiquei sabendo que a entrada dos fundos ficou aberta, mas a falha aqui realmente foi a falta de informação a respeito dessas coisas.

- O térreo era aberto ao público de fora e muita gente veio visitar o evento, principalmente na sexta, no sábado e no domingo. Filas enormes se formaram na entrada. As atrações eram bem legais. Além dos estandes dos patrocinadores, tinham alguns simuladores (estande da marinha), jogos em experimentação, como o virtuSphere e produtos em fase de pré-lançamento como a reacTable. Até um planetário itinerante foi montado, com sessões gratuitas de 15 em 15 minutos.

- Para quem pagou com a opção de alimentação, o buffet era "ok". Quem não pagou podia se reabastecer nas lanchonetes disponíveis no térreo. Reclamaram que de madrugada não haviam opções para alimentação, mas isso foi resolvido no terceiro dia de evento. Ah! Bebidas alcóolicas e cigarro não eram permitidos dentro do prédio e, assim, quem quisesse manter certos hábitos como beber e fumar precisam se deslocar para as lanchonetes do Ibirapuera.

- As festas foram fraquinhas, em parte pela nerdisse dos participantes, em parte (talvez, teoria não comprovada) pela proibição de bebidas alcóolicas. Fato é que as festas não agregaram muita gente, e muitos preferiram dormir ou ficaram em suas máquinas e notes. Uma pena pois os DJs contratados eram bons. Acho que realizar festas no mesmo espaço do evento não foi uma opção muito interessante. Mas difícil seria organizar uma festa fora do Ibirapuera, considerando as dificuldades relacionadas à segurança e transporte.

- O link disponibilizado era de 5,5G, suficiente para os 3 mil inscritos baixarem o que quiserem em velocidades bem acima da média. Mas a conexão sem fio decepcionou, pelo menos para alguns. Meu notebook mal conseguia se conectar com a rede do evento, e muitos reclamaram do mesmo.

- Em termos de conteúdo, eu não teria como avaliar todo o evento. Posso dizer que a parte de Software Livre foi relativamente fraca, comparado com o que estou acostumado a ver em festivais e no FISL. Sobrou espaço e faltou gente. Além disso algumas oficinas padeceram de uma organização melhor, principalmente a do cinelerra. A atração ficou por conta do middleware Ginga, e do Arquimedes, um CAD livre desenvolvido por uma equipe da USP.

- A parte de robótica e modding me pareceram as mais animadas. Não conheço muita dessas áreas, mas era legal ver o que ocorria por lá: oficina para montagem de LCD, sumô de robôs, palestra sobre o Aibo (cachorro robô da Sony), etc. A parte de jogos também não dormia. Sempre tinha no mínimo umas 30 pessoas jogando aqueles jogos de primeira pessoa. No penúltimo dia do evento até organizaram uma pequena mas barulhenta manifestação em prol da liberação do jogo Counter Strike.

- Uma das partes mais atuantes foi a galera dos Blogs. Muitas discussões e palestras sobre blogs, tanto na parte técnica (como fazer, como incrementar, como torná-lo atraente) quanto na parte de conteúdo (mesas-redondas sobre jornalismo na web, participação de blogueiros famosos, etc).

- O último andar era somente ocupado por barracas. Havia um guardador de volumes, bastante conveniente para aqueles que não confiavam manter suas coisas espalhadas por lá, e, claro, para guardar as malas e caixas das pessoas que vieram de fora. As barracas são aquelas estilo Capri, largamente utilizadas, com espaço para 2 pessoas. Participantes que pagaram pela suas incrições (i.e. não receberam convites ou não foram bancados por patrocinadores) puderam levar sua barraca pra casa. Eu paguei minha inscrição mas cheguei a avisar por e-mail que não ia precisar de barraca. Porém, Deivi do SERPRO, amigo nosso, foi embora depois do segundo dia do evento e aí acabei herdando a barraca dele. Dormi lá por duas noites e trouxe a barraca pra casa. Quem não pôde trazer sua barraca esta foi doada para o projeto social Exército de Salvação.

- Por fim, para um primeiro evento do tipo realizado no Brasil, ficou uma impressão muito boa e a sensação de que nos próximos anos tudo será ainda melhor. As fotos que tirei do evento podem ser vistas no meu flickr.

Fui!

Update:

Quem quiser saber mais sobre tudo que ocorreu no evento leiam esse resumo escrito por Charles Nisz, no GigaBlog do UOL.

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