Faz
8 anos desde que um amigo (Tiago ou Sissi, não me lembro...) me passou uma mp3 de uma música chamada
Erotomania. Eram tempos de conexão discada, Matrix e Clube da Luta bombavam nos cinemas, e minha maior preocupação era não bombar novamente em Física I. O nome da banda era
Dream Theater e a partir daquela mp3, passando por todos os cds que escutei até hoje (e foram mais de 10), sempre tive a vontade (eufemismo pra sonho) de assistir um show dos caras. Pois bem, senhoras e senhores, sábado passado, dia
8 de março de 2008, meu desejo se concretizou. O show da turnê
Chaos In Motion passou por 3 cidades brasileiras, incluindo São Paulo, e aqui o local escolhido foi o estacionamento do
Credicard Hall.
Fui sozinho. Não queria que Cécile fizesse esse sacrifício já que o ingresso não era barato. Fiquei no meio da multidão, nem muito perto da grade, nem muito longe da muvuca, e deu pra ver tudo o que ocorria no palco, desde os berros de James Labrie, até as cuspidas do Portnoy, passando pelos solos endiabrados da dupla Petrucci + Rudess, e claro, pelo fantástico mas discreto Myung. Estranhamente, o show começou
meia hora antes do previsto, pegando muita gente de surpresa. Eu entrei às 20:00 e estava esperando o show de Hangar, a banda de abertura. Fui procurando um lugar pra ficar e, assim que encontrei, não passou mais de 10 minutos até o momento em que o som mecânico começou a tocar algo muito familiar: o
tema de Psicose! No telão a imagem anunciava:
"the audience is listening!" A tensão aumentou, a massa começou a se aglutinar e eu fui atrás. Minha dúvida do que estava por acontecer se dissipou da melhor maneira possível. Um vídeoclipe mostrando a trajetória do Dream Theater começou a rolar no telão, e assim que encerrou, um a um, Rudess, Petrucci, Portnoy e Myung assumiram seus postos. Estava pra começar o show do Dream Theater.
Na introdução uma surpresa, ao menos para mim que não conhecia o repertório da turnê: o
tema de 2001 - Uma Odisséia no Espaço, com novos arranjos feitos pela banda. E depois já emendaram os riffs de
Constant Motion. Foi de arrepiar! Em seguida veio
Never Enough, do Octavarium e
Blind Faith do Six Degrees que não empolgou muito. Mas logo depois algo veio pra levantar o show. Com arranjos novos e maravilhosamente belos, a nova versão de
Surrounded deve ter feito muito marmanjo chorar. Rudess estreou seu brinquedinho novo (um keytar "do caráleo") e duelou com Petrucci na guitarra pra o delírio da galera. Depois de um desfecho emocionante, onde mesclaram trechos de Sugar Mice, do Marillion e o solo de Mother do Pink Floyd,
Dark Eternal Night foi a próxima música a entrar, mantendo o público agitado.
Até aquele ponto, eu já podia voltar pra casa tranquilo, mas, quando ouvi o acordes alucinantes do teclado de Rudess eu sabia que a próxima música seria devastadora.
Erotomania entrou chutando o pau da barraca e eu fiquei ensadecido. Nostalgia total! Sem letra pra se cantada, o povo entoava a melodia mesmo assim, vibrando a cada passagem de trecho. E aí veio
Voices, o que considero o ápice do show. LaBrie mostrou mais uma vez que sua voz se recuperou do
incidente de 94 e que continua surpreendente. Não falhou uma vez sequer o show inteiro, e nessa música soltou toda sua energia. Eu berrava e minha voz já craquejava de rouquidão enquanto Petrucci trucidava na guitarra.
Forsaken, acompanhada com um clipe no telão central, nos fez voltar novamente ao Systematic Chaos, e o público acompanhava em uníssono. Mas a banda resolveu retroceder mais uma vez, e em grande estilo:
Take The Time quase tirou de Voices o título de ápice do show, caso uma parte não tivesse sido cortada. O trecho que foi retirado continham notas altas
DEMAIS, alcançáveis por Labrie em tempos passados, mas não mais na atualidade. Mantendo o foco no novo trabalho os caras tocaram na íntegra a primeira e a segunda parte de
In The Presency of Enemies, as duas faixas que iniciam e encerram o álbum. Depois disso, as luzes se apagaram, os membros da banda se retiraram e, enfim, ficamos aguardando o momento do bis. E ele veio com um meddley de várias músicas, entre elas:
Trial Of Tears, Finally Free, Learning to Live,
In The Name of God, e, pra encerrar com chave de ouro: um trecho instrumental (Razor's Edge) de
Octavarium. Resumindo em um palavra: fodástico!
Ficou assim o repertório:
Intro - An Ant Odyssey
Constant Motion
Never Enough
Blind Faith
Surrounded 07
The Dark Eternal Night
Erotomania
Voices
Forsaken
Take The Time
In The Presence of Enemies
-- bis --
Schmedley Wilcox
Saí de lá mais do que satisfeito. O show valeu cada centavo! Claro que se pudesse escolher, ainda incluiria diversas músicas no repertório (Pull Me Under, Metrópolis, Lines in The Sand, Another Day, These Walls, enfim...) mas aí só com um show de mais de 3 horas. Quem sabe em outra oportunidade?
(fotos: André Fatala e André Afonso)