quarta-feira, 2 de novembro de 2011

En essuyant la glace

Salut tout le monde!

Hoje faz aproximadamente um mês que estou morando na França, mais especificamente em Grenoble. Meu tempo aqui será de um ano, durante o qual me dedicarei ao meu doutorado sanduíche no LIG (Laboratoire d'Informatique de Grenoble). Como não poderia ser diferente, esse perído inicial tem sido bem estimulante, cheio de novidades e, claro, com muita burocracia também. Cê está em Paris (ela chegou na França 15 dias antes de mim), morando com os pais e com a irmã. Por isso, estou só (uma lágrima ameaça rolar pelo rosto, silêncio, drama, rs). Mas a França é um país cortado por uma extensa malha ferroviária e a gente vai procurar se visitar com frequência, ora em Paris, ora aqui em Grenoble. Nesses primeiros dias tenho feito de um tudo um pouco: alguns passeios, muito estudo, primeiros contatos e (muita) papelada.

No momento estou hospedado numa residência universitária gerenciada pelo CROUS, uma organização que fica sobre a tutela do Ministério do Ensino Superior e da Pesquisa. Existem trocentas residências universitárias espalhadas pela cidade, mas sempre que eu buscava uma indicação, a resposta era a mesma, ou seja, Residence Galilée. Em suma, é uma residência recentemente construída/reformada que contém 61 studios de 18 metros quadrados, designada principalmente para receber estudantes e pesquisadores estrangeiros, o que é o meu caso. Talvez por ser nova, com studios mobiliados e por ter diversos serviços inclusos na mensalidade (recepção, internet, tv plana com canais fechados, ligações para fixos, água, luz, aquecimento, troca semanal de lençois e limpeza de piso, lavanderia e bicicletário) o preço seja salgadinho. Mas se eu for alugar um apartamento na mesma localização e com todos esses serviços, acredito que o preço seria bem próximo do que eu estou pagando atualmente.

Residence Galilée

Como não estou aqui a turismo, ainda conheço pouco a cidade, mas já dei os meus passeios por aí. Um dos lugares mais famosos de Grenoble é a Bastilha com o seu famoso teleférico. No meu primeiro fim-de-semana eu aproveitei para visitar o que talvez seja o lugar mais turístico da cidade. É um lugar interessantíssimo. Já tenho uma parada obrigatória quando for receber visitas. Não é uma fortificação tão robusta quando a Citadelle de Besançon, mas é tão imensa quanto, cheia de labirintos e muros de pedra, contando inclusive com uma gruta que era utilizada de forma estratégica para fins militares. Mas o melhor mesmo é a vista espetacular que se tem da cidade e dos seus arredores. Um lugar que vale a pena passar o dia, passeando, tirando fotos, ou até mesmo correndo, opção adotada por muita gente. A Bastilha fica no topo de um dos 3 complexos de montanhas que cercam a cidade: Chartreuse, Vercors e Belledonne. Durante o inverno esses complexos ficam lotados de turistas e esportistas praticantes de ski e snowboard. O mais perto fica a apenas 14 kms da cidade.

 Bastilha de Grenoble

 Tour Perret no Parc Mistral: com neve na Belledonne

 Tour Perret no Parc Mistral: sem neve na Belledonne

 Quanto ao LIG, é um laboratório filiado ao INRIA, que é a maior e mais respeitada instituição de pesquisa na França. O meu prédio fica em frente ao prédio do INRIA e não é exatamente em Grenoble, mas em uma pequena cidade vizinha chamada Montbonnot-Saint-Martin. Contudo, dá pra chegar lá pegando apenas um ônibus metropolitano comum e caminhando uns 15 minutos a partir do terminal. Seria melhor se o laboratório fosse no Campus (que também não fica exatamente em Grenoble, contudo é bem mais perto), mas a tranquilidade e isolamento do lugar, traz lá suas vantagens (distrações zero). O pessoal do laboratório foi receptivo e tem me ajudado para que eu me adapte rapidamente. Já tive algumas conversas com meu orientador francês e, apesar de estar num momento complicado do doutorado (quem leu o post sobre meu primeiro semestre sabe do que estou falando), tem sido compreensivo e tem me ajudado a direcionar minhas atividades por aqui. Por enquanto só tive um dia realmente estressante que foi na sexta passada quando tive que me apresentar formalmente ao grupo. Fiz uma apresentação em inglês (a primeira, inclusive) e eu não estava me sentindo muito à vontade. Mas, para minha surpresa, não fui massacrado com perguntas ou críticas sobre minha pesquisa. Na verdade, só recebi sugestões. Além do meu orientador, já conheço algumas pessoas com quem mantenho contato quase que diário: 3 brasucas, 2 tunisianos, 1 camaronês e 2 franceses. Sem contar com um estudante grego que conheci aqui na residência (a lavanderia é um bom lugar pra jogar conversa fora).

Local de estudo

 Voltando a falar da cidade, Grenoble é uma cidade para ciclistas. Além de ser plana, conta com uma rede de ciclovias fantástica e com inúmeros bicicletários e pontos de parada para bicicletas. Os motoristas pisam o pé no freio ao ver um ciclista ou pedestre e existem muitas vias exclusivas para ciclistas. Tive o prazer de alugar uma bike e percorrer a cidade de cabo a rabo durante o um sábado. Decidi comprar uma bicicleta num site estilo mercado livre que tem por aqui, mas por algum motivo ainda enigmático para mim, os vendedores não respondem meus e-mails (escritos em francês, que seja dito). Estou de olho em um modelo chamado B'twin comercializado pela Decathlon. Vamos ver se essa compra desempaca quando eu botar crédito no celular e ligar para os sacanas. (update: agora tô pobre. Só quando chegar a grana.)



Chafariz no centro de Grenoble

Montbonnot-St-Martin (periferia de Grenoble)

Bom, acho que por enquanto é isso. Tenho me adaptado bem à cidade e ao laboratório e tenho buscado estar em dia com minhas "afazeres de estrangeiro". Já pedi meu titre de séjour, já fiz conta no banco e já enviei alguns dados obrigatórios para a CAPES. Só falta fazer o plano de saúde daqui (Securité Sociale) que é obrigatório e ver se consigo uma ajudinha do governo para pagar meu aluguel junto a um órgão chamado CAF. A parte mais difícil da adaptação tem sido acordar. Ainda é outono e o frio não chegou pra valer, mas o sol já não está mais lá quando acordo, o que é meio bizarro para um baiano que nasceu no meio do sertão. Mas vou vencer isso também, com o tempo a gente sempre se "adapita" né véi! :-)

Para finalizar esse primeiro post como residente em terras estrangeiras, fica um belo vídeo mostrando um pouco da cidade e do que ela tem para oferecer.

Au revoir!


Bienvenue à Grenoble par VilledeGrenoble

Um comentário:

Cécile disse...

Feliz por vc, amore, e por todas suas conquistas. Tô ansiosa para conhecer Grenoble e matar a saudade, que já está de doer. ;-)