quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Escuitchando...

Nas últimas semanas tenho ficado muito tempo trabalhando no LCPD da USP (laboratório de computação paralela e distribuída). É como se fosse o Lasid daqui, só que num espaço físico menor e numa conjuntura política que, pelo menos até onde eu sei, sem "atritos" com outras partes, se é que vocês UFBaianos computêros me entendem. Pois bem, aqui no habitat do LCPD encontramos figuras legais e nerds assumidos como Ricardo (nerd god), Fernando (nerd master), Raphael (que é muito mais nerd do que assume ser) e Rafael Rabi (medium light nerd, como eu). Como todos são viciados no Last.fm acabamos por passar recomendações uns para os outros. Boa parte das coisas que andei escutando nos últimos meses provém dessas fontes. Dito isso, segue o que andei achando dessas caóticas experiências auditivas, de forma crua, dispersa, atrasada e sem muitas referências:

:: In Rainbows (Radiohead)
O Radiohead inovou no lançamento do último cd. Você vai no site da banda e tem duas opções: comprar o download do álbum ou comprar o cd, com caixinha e tudo, além de uns extras. O mais legal é que você é quem diz quanto quer pagar. Pode até botar 0.0 e baixar de graça. Achei fantástico, e logo logo deve ser seguido por outras bandas. Bom, mas quanto as músicas do álbum, acho que vou fazer um review mais detalhado, então... isso fica pra outro post.

:: Whatever People Say I Am, That's What I'm Not (Artic Monkeys)
Artic Monkeys despontou como a nova banda queridinha do momento. De tanta fama já não é tão indie. E de pouca fama, muita gente ainda não conhece. Tudo isso pouco importa. Esse cd vale a pena. O que mais se destaca é o vocal descontraído e as canções agitadas, com arranjos despretenciosos, simples e diretos. Parada objetiva. Muito bom. Destaques para Fake Tails of San Francisco e I Bet You Look Good on the Dancefloor.

:: Myths of the Near Future (Klaxons)
Rock indie com sonoridade rádio-espacial. 2-3 Vozes em uníssono. Uma mais grave, outra "normal" e outra em falsete. Bateria suja com contornos eletrônicos. Gravity's Rainbow e Golden Skans viraram hits. Atlantis to Interzone empolga a cada audição. Tecnicamente parece comer um pouco de terra dos Artic Monkeys, mas gostei mais da sonoridade dos Klaxons.

:: Fear Is On Our Side (I Love You but I've Chosen Darkness)
Do mesmo saco indie, essa com certeza foi o melhor álbum que garimpei nos últimos meses. O som e a batida é bem oitocentista, com a guitarra compondo texturas que reverberam ouvido afora. Dá pra viajar legaaaal em algumas músicas, a ponto de esquecer de olhar pros dois lados da rua. A dinâmica das canções são muito bem trabalhadas. O conjunto das músicas parecem compor um cenário só, mas contando partes diferentes de uma história. Imagine sombras, neblina, luzes e silhuetas, com guitarras e bateria reverberante ao fundo. Parada coerente... e muito boa! Não sei se eles terão pique pra continuar bem na fita, mas, apesar de não serem exatamente farinha do mesmo saco, o fato é que perto desse álbum ouvir Klaxons ou Artic Mokeys parece coisa de muleque. :-p

:: Agaetis Byrjun (Sigur Ros)
Post-rock. Um dos melhores álbuns da década. As canções parecem ter sido feitas por anjos depressivos. Beleza e tristeza em doses superlativas. E tudo isso eu tiro somente pela sonoridade porque as letras eu não faço idéia do que expressam. Nem sei qual o idioma que falam na Islândia. Todo álbum é perfeito, mas Vidrar vel til loftarasa e Agaetis byrjun (a mais bela das belas) vão além isso. Ah! E suicidas devem evitar Svefn g englar. :-p

:: Happy songs for happy people (Mogwai)
Também adepto do estilo post-rock com os elementos melódicos e minimalistas. A maior parte das músicas são compostas de guitarras melódicas com ruídos ao fundo, inicialmente imperceptíveis mas que num crescendo constante vai formando uma massa sonora que culmina num ápice arrebatador, com a bateria moendo. Muita distorção, melodias propositalmente sujas com ruídos... Em algumas músicas dá pra viajar e curtir a barulheira que se forma. Em outros músicas, vc fica meio que torcendo pra zoêra passar logo. Então, achei meio inconstante, mas recomendo as músicas Kids will be skeletons (a melodia não sai da cabeça!), Golden Porshe, Ratts of the capital e I know you are but what am i (pianinho rulez). Além deste trabalho escutei outros cds deles. Come On Die Young é legal. Young Team é razoável. E Kicking a Dead Pig é uma chatice só.

:: Systematic Chaos (Dream Theater)
Último cd lançado pela banda que é sinônimo de metal progressivo. Achei melhor do que o anterior (Octavarium). O ambiente tá mais pesado, assim como as letras. Os arranjos estão animais (como é de praxe) e as variações de tempo e alternância melódicas também. A primeira e última faixa dão o tom do disco (In The Presency of Enemies I e II). Repeteance é realmente um porre, mas até entendo a sua presença por fazer parte da odisséia alcóolica do batera Portnoy, que por sinal, está cada vez mais contido nos seus exibicionismos.

:: Office of Strategic Influence (OSI)
Recomendando por um amigo que também gosta de metal (ele gosta de metal, mas não é metaleiro na concepção estética dos cabelos e indumentárias, se é que vocês me entendem). Achei poucas faixas dessa banda. Faz o estilo metal progressivo e curti muito as músicas do álbum FREE. Não por acaso, o baterista e o tecladista são do Dream Theater.

:: Sim (Vanessa da Mata)
Terceiro CD da Vanessa. Ao mesmo tempo em que eu já vou me cansando um pouco da sua voz e dos seus trejeitos, ela inova e faz um cd cheio de dubs e composições próprias. O resultado ficou excelente. É verdade que alguns cacoetes na voz dela são muito parecidos com o do Jorge Ben Jor, mas isso só prova que ela teve uma excelente influência. Pena que, pelas últimas performances ao vivo que tenho presenciado, ela se apresente muito melhor no formato de estúdio do que ao vivo. Músicas favoritas: Pirraça, Baú e Fugiu com a Novela.

:: Meu Samba (Maria Rita)
Assim como o maravilhoso cd que Jairzinho lançou ano passado (Simples), esse cd de Maria Rita vem na onda do samba, depois de dois cds que mostravam uma Maria Rita ainda um pouco contida. Fato curioso: na primeira vez escutei o cd todo de traz pra frente, acidentalmente. Gostei muito das "primeiras músicas", isto é, das últimas: Maria do Socorro, Corpitcho, Casa de Noca. Cria e Tá perdoado também são ótimas.

[]'s

Um comentário:

Cécile disse...

na casa do senhor não existe satanás
xô satanás, xô satanás

hauhuahauhauahuahua